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O mundo das cranberries!

November 18th, 2011

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Você sabe o que é uma cranberry?  Pois é, eu só vim a conhecer essa frutinha de perto depois que mudei pros Estados Unidos. Até então, só conhecia de ouvir falar. Mas pra nossa alegria, ela está sendo produzida com sucesso no Chile e já começa a dar as caras no mercado brasileiro.

Trata-se de uma frutinha vermelha, pequena e azedinha. É também uma das únicas três frutas originárias da América do Norte que são produzidas comercialmente, junto com a uva niágara e a blueberry (mirtilos). A maior parte da produção é destinada à industria e produção de sucos, geléias e afins. Mas é durante essa época do ano que as cranberries são mais lembradas, afinal, ajudam a compor o tradicional cardápio do dia de Ação de Graças.

Ano passado, decidi que esse ano, durante a colheita que acontece somente no outono, eu iria conhecê-las de perto. E por conhecer eu quero dizer bater na sua porta, conhecer sua casa, bater um papo e, com um pouco de sorte, compartilhar uma xícara de café, assim como nós brasileiros gostamos de fazer.

Dia 7 de outubro então, saímos de casa em direção ao centro de Wisconsin, um estado acima do nosso e o último até a fronteira com o Canadá. Fomos em direção à rodovia das Cranberries, uma zona úmida, vasta e que se estende por quase 80 quilômetros entre as cidades de Wisconsin Rapids e Warrens – sim, porque qualquer fruta que se preze tem a sua própria rodovia.
O que eu deveria ter imaginado, contudo, é que cranberries tem uma forte personalidade. Elas não ficam se exibindo em cada esquina, gostam de preservar sua privacidade, ao contrário de maçãs ou abóboras.

Mesmo depois de algumas horas na estrada, de passar por dezenas de campos de cultivo de mais de cem anos de idade e por milhares e milhares de videiras, ainda não tínhamos visto uma única fruta. Pra piorar nossa situação, estávamos atrasados ​​para o “show principal”; os principais festivais envolvendo a fruta já haviam acontecido uma semana antes da nossa chegada e imaginei que as cranberries deveriam estar cansadas de atuarem como a celebridade da estação.

Mas mesmo assim elas ainda continuavam exercendo um profundo grau de fascinação pública. Nos deparamos com um grande grupo de turistas durante uma parada rápida no Cranberry Discovery Center e todos os tours que tentamos pegar para assistir uma colheita de perto já estavam lotados. Continuamos então dirigindo, não havia outra escolha.

Pra você endender melhor, a planta, pé de cranberry ou videira, como chamam por aqui, é plantada em grandes valas; no momento certo, essas valas são enchidas com água e uma colheitadeira própria é passada para retirar as frutinhas dos galhos. Como a cranberry é parcialmente oca, ela acaba boiando e o resultado é um atrativo “lago” que chama a atenção até dos mais desligados.
De repente, elas decidiram aparecer e, MEU DEUS, não é a toa que cranberries tem um forte temperamento. Elas simplesmente fazem todas as outras cores do outono desaparecerem, flutuando na superficie dos “tanques” e mostrando pra todo mundo o seu vermelho rebelde.

Paramos na mesma hora, caminhamos até uma das valas prontas para a colheita e ficamos por lá, em atitude contemplativa, tentando entender um pouco melhor essa nova e elusiva amiga. E acho que acabei me emocionando demais para dar início a qualquer conversa.

Mas é claro que trouxe algumas frutinhas pra casa comigo e foi aí que começamos a ficar mais íntimas. Na verdade, é a primeira vez que cozinho com elas mas já posso te dizer, as chances são grandes de nos tornarmos melhores amigas.
Outra coisa que eu trouxe comigo foi o livro Wisconsin Cranberry Growers‘ Favorite Recipes. Livros de receitas locais são uma das primeiras coisas que eu procuro quando visito um lugar novo, simplesmente amo colecioná-los. E este em particular é um pequeno tesouro, uma coleção de receitas de família fornecidas por quem realmente sabe como tirar o melhor de seu produto.
Esse bolo foi inspirado na receita de Ellen Potter, Upside-Down Cranberry Cake. A maneira como ela usa a fruta e a combina com nozes me chamou a atenção. O único problema é que ela usa como base uma mistura de bolo pronta, dessas de caixinha que a gente compra em qualquer supermercado. Mas aqui decidi adaptar usando minha própria receita, uma base de amêndoas e raspinhas de laranja para fazer jus à nossa estrela.

Sirva com sorvete de baunilha e compota de cranberries quentes por cima e garanto que vai ser só elogio!

Prepare a fôrma:

Fatie a manteiga gelada em fatias finas. Distribua as peças uniformemente sobre o fundo de uma fôrma  de 20cm de diâmetro. Polvilhe as nozes sobre a manteiga. Lave e seque as cranberries; despeje sobre as nozes.

Adicione o açúcar granulado e o açúcar mascavo, espalhando uniformemente sobre as  cranberries. Pode parecer uma grande quantidade de açúcar, mas é o necessário para quebrar a acidez da cranberry e criar uma camada caramelizada sobre o bolo. Reserve.

Faça o bolo:

Pré-aqueça o forno a 180˚ C. Na batedeira, bata a pasta de amêndoa em baixa velocidade por 2 minutos ou até que esteja um pouco quebrada. Adicione o açúcar, aumenta a velocidade e continua batendo até que a massa de amêndoa esteja fina. Pode demorar alguns minutos, mas você não quer pequenas pelotinhas de pasta no seu bolo.

Adicione a manteiga e bata até a mistura clarear e ficar cremosa, por cerca de 1 minuto. Adicione os ovos, um de cada vez, raspando as laterais sempre que necessário. Adicione as raspas de laranja e misture bem.

Peneire juntos a farinha, sal e fermento em pó. Desligue a batedeira e adicione os ingredientes secos à mão em três lotes. Não bata demais, apenas misture!

Despeje a manteiga na forma preparada e asse por cerca de 40-50 minutos. Pode demorar mais, dependendo do seu forno. Deixe descansar por 10 minutos e então desenfome.

Compota de cranberry: ponha uma xícara de cranberries e uma xícara de açúcar em uma panela pequena e cozinhe até que todas as cranberries tenham “estourado” ou se partido. Sirva imediatamente.

5 Responses to “O mundo das cranberries!”

  1. Luciane

    Oi! Amei esse post!
    Quem me mostrou seu blog foi a Renata Siqueira de Itajubá.
    Somos suas fãs.
    Parabéns pelo belíssimo trabalho.

    beijo

    Lu

  2. amanda

    Luciane, que bom que gostou!! Fico super feliz quando recebo um feedback positivo, so me encoraja a continuar. E da um abraco grande na Renata por mim, muitas saudades!!
    Espero que nos encontremos mais por aqui.

  3. Sara

    E agora vejo que voce tem blog no portugues. Eu apenas tenho tempo para escrever no meu, e isso somente em ingles! Devo seguir esta pagem para praticar–estudiei portugues na universidade e gosto muito da idioma (mas agora nao tenho muita oportunidad para usa-lo)-ha! Tambem gosto tanto das fotos dos cranberries (como vivo em Nova Ingleterra, como nao!)

  4. amanda

    Sara, obrigada por passar aqui no meu espaco em Portugues tb!! E voce e bem vinda sempre que quizer praticar um pouquinho! 🙂

  5. Viviane

    Amanda,

    Já gostava de cranberries antes de elas serem moda aqui no Brasil… em viagem a Aruba comprei algumas frescas e estão agora congeladas em minha geladeira. Procurando informações de como desidratá-las ou usá-las em receitas… achei este tesouro de posting: lindo, singelo … tão bonito.

    Espero que você continue escrevendo e cozinhando.

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