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Food workers

February 20th, 2013

Semana passada, no dia 14 de Fevereiro, é comemorado por aqui o dia dos namorados. Acabei não tendo tempo de preparar algo especial pra data mas pelo menos conseguimos sair pra jantar. Comida boa, um drinkizinho e ausência de louça suja na pia, algumas das razões pelas quais amo sair pra comer.

Bom, acho que não preciso citar muitas, todo mundo gosta e sabe como é bom comer em um bom restaurante não é?

Mas quando você sai pra comer, você presta atenção às pessoas que estão por trás do prato que você pede? E não estou falando aqui de chefs reconhecidos que quase nunca tocam nas panelas. Você presta atenção aos seus rostos? Tem alguma idéia de todo o trabalho duro que está por trás da sua refeição? Ou ainda, você chega a pensar, por pelo menos um instante, que tem um monte de gente dando duro enquando você está “festando” e que estas mesmas pessoas dificilmente terão a chance de participar do mesmo tipo de festa?

Assunto chato e difícil, eu sei. Mas esta semana me deparei com um artigo da Dr. Megan Clayton, do Center for a Livable Future e desde então isso vem me incomodando. No curto período em que trabalhei em restaurantes presenciei várias situações de injustiça sem ter a chance de fazer alguma coisa.

Não é minha intenção generalizar, mesmo porque sei que tem muita gente séria no ramo que entende o real valor do seu funcionário. Mas em muitos lugares a realidade é bem diferente, lugares onde a maior parte dos funcionários é obrigado a conformar-se diante da ameaça de perder o emprego. Situações como roubo dos salários (o não repasse da gorjeta), riscos de saúde e segurança, a falta de benefícios, discriminação por gênero e raça, etc, são mais comuns do que pensamos.

E você se engana se pensa que nos EUA a coisa é diferente. Enquanto aqui o setor emprega mais de 10 milhões de trabalhadores, essa força de trabalho esta entre a que recebe menor remuneração.

A mídia pinta um cenário encantador no mundo da gastronomia mas a verdade é que a força bruta que faz o setor funcionar é composto por pessoas que estão lá porque não têm escolha ou opção de um emprego melhor. E muitas, ou melhor, a maioria não sonham em seguir uma carreira dentro de uma restaurante porque para eles essa atividade é sinônimo de subemprego.

Mas será que nós, enquanto consumidores podemos fazer alguma coisa? Sim, o simples ato de perguntar ao seu garçom se a gorjeta está sendo repassada é um grande passo. Como consumidores nós temos voz e o direito de questionar e optar por restaurantes que fazem questão de tratar seu funcionário com respeito e dignidade.

No meu post em inglês coloquei alguns links de iniciativas que estão sendo tomadas por aqui e resolvi mantê-los na versão em português pra servir de inspiração. De tudo que procurei com relação ao Brasil, a única coisa que encontrei foi a criação, na cidade de São Paulo, de um disque gorjeta denúncia para desmascarar donos de estabelecimentos que não repassam o dinheiro que, por lei, deveria ir para o funcionário. O serviço do disque-denúncia funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h. O número é é 0800 77 171 04.

Se você mora em outras regiões e conhece outras iniciativas, sinta-se livre em compartilhar!

ROC Diners Guide: é um aplicativo (http://rocunited.org/dinersguide/), onde você pode pesquisar por restaurantes que oferecem benefícios aos funcionários, oportunidades de carreira e salário mínimo, entre outros. Disponívels em cidades como Chicago, Detroit, Houston, Los Angeles, Miami, Nova Orleans, Nova York, Filadélfia, San Francisco, e Washington DC.

http://thewelcometable.net/: um site com histórias reais de trabalhadores do setor, além de um ponto de conexão entre esses trabalhadores edefensores e entusiastas que lutam por um sistema mais justo, responsável e seguro no setor de restaurantes.


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