` Espinafre, vinagrete quente e considerações sobre Tartine Bread | Give me Flour

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Até onde me lembro, a primeira coisa que fiz na cozinha foi pão. Duas receitas básicas que minha mãe costumava fazer, pão de cebola e pão caseiro. Tenho o filminho guardado aqui na minha cabeça: bater os líquidos no liquidificador, medir a farinha, misturar tudo, sovar, deixar crescer, assar, comer.

Grandes rolos de massa, cobertos, crescendo com a luz do sol. Do lado, um copo com água com um peacinho de massa que deveria subir, indicando o tempo certo do pão ir para dentro do forno. Sem balanças, sem termômetros, sem tempo de descanso para a massa e tudo feito sem questionamentos.

Mas rebelde que sou, acabei perguntando, perguntei demais e acabei aqui, com o que chamo de “Projeto Tartine Bread”

Tartine é uma mistura de padaria e café localizada na cidade de São Francisco, Califórnia. E esse nome está em todos os lugares, pelo menos quando pensamos no mundo gastronômico. Elizabeth  Prueitt and Chad Robertson, seus donos, foram indicados por três anos consecutivos ao James Beard Foundation Awards, uma espécie de Oscar da gastronomia Americana e acabaram vencendo, em 2008, na categoria de melhores chefes confeiteiros dos Estados Unidos.

É difícil não se apaixonar e não se deixar envolver pelo trabalho deles, por fotos que mostram Elizabeth, Chad e sua equipe dobrando, glaçando, recheando, cobrindo, assando, sorrindo.

Os dois juntos são ainda autores do livro Tartine, uma compilação das receitas executadas na casa e que, por acaso, traz a melhor receita de brownie que já encontrei por aqui. É ou não uma verdadeira lição para alguns estabelecimentos brasileiros que acreditam que vão levar suas perfeitas e secretas execuções para a cova enquanto fazem todo o possível para manter seus clientes ignorantes sobre o que consomem??

E não cansado de dividir, ano passado Chad lançou seu segundo livro, o Tartine Bread, mostrando ao mundo como é possível ter um pão de qualidade feito em casa.

A primeira receita, Tartine Country Bread é o resultado “de uma busca por um pão específico, um pão com uma alma antiga” como Chad diz em seu livro. E muitas pessoas, incluindo eu, estão bem felizes com sua obsessão pelo pão perfeito.

Tive vontade de sujar as mãos de farinha e começar meu Projeto Tartine Bread assim que comecei a ler o livro. Mas esse pão é complexo, feito a partir de apenas três ingredientes, farinha, água e sal através de um processo que envolve um longo periodo de crescimento, fermentação natural e modelagem artesanal. Sua receita soma um total de 37 páginas, entre fotos e palavras. A receita de um único pão! O fermento leva pelo menos duas semanas para atingir sua maturação e quem se atreve a se envolver deve estar preparado para tudo, inclusive muita tentativa e erro!

Surpreendentemente, encontrei muitas outras pessoas envolvidas nessa mesma loucura. Bloggers, tutoriais,  experiências desastrosas e bem sucedidas e até mesmo uma comunidade no Facebook com fotos e muitas, muitas dicas boas!

Agora você deve estar se perguntando porque alguém iria gastar tanto tempo tentando fazer uma coisa que pode ser facilmente comprada na padaria da esquina?

E eu poderia culpar a ansiedade, a ansia por um melhor sabor, melhor miolo, melhor crosta. Mas existe algo muito maior por trás desse desejo.

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Alguns dias atrás minha filha mais nova passou a manhã inteira cortando, dobrando, colando e apareceu com uma sacola de papel em tamanho real. Aparentemente uma coisa sem importancia; bastava ter me pedido que eu teria lhe dado uma. Mas o processo de criar é algo inexplicavel, não?

Então, pão é minha sacola de papel!

Mas pode se acalmar, não vou te empurrar para dentro dessa aventura ainda. Vamos começar apenas considerando a importância do pão nas nossas refeições e a diferença que ele pode fazer em um simples prato.

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É o caso dessa salada que não seria nada se não fosse por ele. Tente comprar um bom pão italiano, não muito azedo mas com um leve toque de acidez para combinar melhor com a acidez do nosso vinagrete. Aqui vão os ingredientes para duas pessoas:

Comece pelo pão:

Aqueça o forno a 180˚C. Espalhe o pão picado grosseiramente em uma assadeira e leve ao forno por aproximadamente 8 minutos. Tire o pão do forno, misture os demais ingredientes e acabe de torrar por mais 10 minutos ou até que as sementes de gergelin estejam douradas.

Enquanto isso prepare o vinagrete

Aqueça o óleo em uma panela pequena e salteie a cebola por aproximadamente dois minutos. Adicione a mostarda, o vinagre e reduza para 1/3. Desligue o fogo, adicione o azeite de oliva e, se for necessário, aqueça novamente sem deixar ferver para que o azeite não perca suas propriedades.

Coloque o espinafre em um bowl médio, adicione o pão e despeje o vinagrete por cima. Misture tudo e finalize com lascas grandes de parmesão. E se não gosta de espinafre você pode substituí-lo por alguma outra folha grossa como escorola, chicória ou até mesmo couve.

One Response to “Espinafre, vinagrete quente e considerações sobre Tartine Bread”

  1. Give me Flour » Blog Archive » Sanduíche de rabada e agrião no pão de polenta

    […] pão mais uma vez. Mas agora é hora de sanduíche. O meu Projeto Tartine Bread está indo de vento em popa e ontem tirei do forno meu primeiro pão de polenta. E o que poderia […]

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