` Glúten-free/lactose free Maçã-maple crisp e o “grand finale” da estação de maple | Give me Flour

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As coisas estão começando a fugir do meu controle. E eu sei que essa não é somente a sensação de alguém que acabou de ficar livre do gesso na perna (SIM!!!!) e sabe que tem um montão de coisas pendentes pela frente pra resolver.

Os últimos dias realmente foram movimentados. Conheci novas pessoas através do Give Me Flour, tanto no mundo virtual como no real, consegui marcar presença no Maple Festival, o “grand finale” da estação anual de maple e finalmente comi em um tradicional restaurante da cidade. Até agora estou me perguntando porque não conheci Kevin’s Place antes.  Costumava passar por perto quase todos os dias quando levava minha filha para a escola e nunca, nunca liguei pra esse lugar. Mas esqueça Kevin’s por enquanto, ele merece um post exclusivo só pra ele.

Uma coisa que realmente está me incomodando é o fato de que semana passada ganhei uma nova amiga. Não, não é a amiga que está me incomodando mas o fato dela ter que conviver com uma dieta super restrita, livre de glúten e produtos derivados do leite de vaca. Senti vergonha e medo ao mesmo tempo; vergonha porque como profissional do setor alimentício, nunca liguei muito para essas dietas; medo porque não sei como lidar com uma despensa que não tenha farinha de trigo e manteiga.

Poderia dizer em minha defesa que alergias como essas não são tão comuns no Brasil, o que é verdade. Estudos comprovam que, pelo menos se tratando da intolerância ao glúten, europeus e norte americanos estão muito mais propensos a sofrer de doença celíaca.

O que continua não sendo uma desculpa para evitar o assunto, principalmente para alguém que acredita na filosofia de que comida foi feita pra unir as pessoas e não para separá-las.

Essa história toda não parava de martelar na minha cabeça. Interessante que domingo, quando fomos no North Park Village para participar do Festival do Maple, um evento educacional com demonstrações de todo o processo de produção e degustação (claro!), “recebi” outro sinal de que deveria começar a dar mais importância para o assunto.

Quando chegamos a primeira coisa que chamou minha atenção foi uma banca de maçãs de Michigan. Quando paramos para conferir, a surpresa, os caras estavam vendendo, além das maçãs, farinha de castanha portuguesa que, por acaso, não contém gluten.

Com uma cesta de maçãs em uma mão e um saco de farinha na outra, comecei minha aventura por um terreno desconhecido. Só estava faltando algo para adoçar mas isso não foi nada difícil de decidir: xarope de maple, claro!

Essa é uma receita super simples mas exatamente o que se espera de um crisp de maçã, uma cobertura arenosa e ao mesmo tempo crocante, um sabor acentuado de nozes escondendo uma perfeita e quentinha compota de maçãs.

Como opção para a gordura vegetal, você pode usar banha de porco ou até mesmo manteiga, mas somente se não tiver nenhum problema com derivados de leite.

Comece pela cobertura. Misture a farinha, açúcar, sal e canela. Adicione a gordura e misture até obter a aparência de uma farofa. Adicione as nozes, espalhe em uma fôrma e leve ao freezer por pelo menos 15 minutos.

Essa farofinha é super prática. Guarde na geladeira por até uma semana ou no frezer por 3 meses.

Você também pode dobrar a receita para congelar. E nem precisa descongelar porque quanto mais geladinha, melhor o resultado final.

Pre-aqueça o forno a 180˚C. Corte as maçãs em fatias finas, adicione o limão, maple, amido de milho e essência de baunilha. Divida a mistura em quatro ramekins. Cubra com uma generosa camada da nossa massa-farofa e asse por trinta minutos ou até o recheio começar a borbulhar e querer vazar pelas bordas do ramekin.

Fique de olho e se a cobertura começar a dourar muito rápido, cubra cada ramekin com um pedaço pequeno de papel alumínio (não abafe, apenas coloque o papel solto por cima para proteger e evitar que a cobertura queime). Continue assando até o recheio burbulhar.

Delícia! Agora só me falta prová-lo com uma bola de sorvete de queijo de cabra que minha amiga Catherine fez semana passada, receitinha do blogueiro David Lebovitz.

Sobre o Maple Festival?  Maravilhoso! Sei que sou totalmente suspeita, provei xarope de maple pela primeira vez aqui nos Estados Unidos e me apaixonei. Agora tento usá-lo sempre que posso. A única razão de não bebe-lo puro é porque tenho medo de enjoar, se é que isso pode acontecer.

E entender um pouquinho do processo de fabricação só fez aumentar meu respeito por maple e pela natureza. Sem falar no fato de que meu coração derreteu quando o guarda florestal nos falou que esse ano a estação de maple foi mais longa por causa do inverno um pouco mais “quente” (pelo menos nessa região). Senti como se as árvores estivessem esperando por mim, esperando meu pé melhorar para que eu pudesse estar presente.

Temperatura é um fator fundamental no processo. A história toda começa no final do verão e início do outono quando as árvores “param” de crescer e começam a armazenar amido . Quando a temperatura começa a subir novamente, no final do inverno, esse amido se transforma em açúcar que vai direto para a seiva, o “sangue” da árvore.

Mais uma vez o aumento da temperatura atua criando pressão, fazendo com que a seiva suba para os galhos. É mais ou menos como se eles estivessem dizendo “Vamos lá, me mande comida, eu preciso das minhas folhas de volta”.

E é exatamente esse o momento perfeito para a extração da seiva, momento que  pode variar entre alguns dias ou semanas, dependendo da variação da temperatura.

Mas essa etapa deve ser feita de forma consciente. É quase como retirar sangue, pessoas com menos de 18, que não tenham determinado peso ou que sofrem de alguma doença não são consideradas doadoras.

Além disso é necessário medir a árvore para saber quandos buracos fazer e a quantidade certa de seiva a ser coletada sem prejudicar a sua saúde. E acho que esses caras poderiam estar usando uma régua ou fita métrica mais precisa para fazer o serviço, mas pra que desperdiçar a chance de abraçar uma arvore não é mesmo?

Depois de feitos os buracos, uma espécie de torneira é encaixada para ajudar na coleta e baldes (ou galões de leite!!!) são pendurados para armazenar a “água”.

Sim, a seiva é quase uma água e quase não tem sabor. Para te dar uma idéia, 150 litros de seiva produzem menos que 4 litros de xarope de maple.

O próximo passo então é ferver, ferver, ferver…………..

A pergunta que não quer calar agora é “Quem e como esse alguém descobriu a maneira de se fazer maple?”

Só queria poder voltar no tempo, encontrar essas pessoas e dizer OBRIGADA!

2 Responses to “Glúten-free/lactose free Maçã-maple crisp e o “grand finale” da estação de maple”

  1. robs

    amo, amo, amo seu blog.

  2. Maria João

    adorei este post sobre o maple syrup, adorei a receita, adoro tudo por aqui!
    obrigada 🙂

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