` Give me Flour | - Part 10

Give me Flour

Sabe aquele presente que te dá vontade de chorar? Então, ganhei um essa semana, um queijo. Sei que você deve estar pensando “que tipo de pessoa chora na frente de um queijo”? Bem, acontece que não se trata de qualquer queijo mas sim do legendário quejo da Serra da Estrela, trazido de Portugal pelos meus queridos primos Nádia e Alê, duas pessoas que eu simplesmente amo ter por perto.

A foto está aqui. E como você pode imaginar, a semana foi boa!

Mas foi corrida também, uma loucura e acabei não tendo muito tempo pra pensar em Halloween. E hoje cedo, enquanto buscava por uma receita para o tema tive um daqueles insights: o que poderia assustar mais do que pensar em fabricar sua própria bala para o dia 31 de outubro?

Calma, minha gente, só uma brincadeira pra descontrair, a idéia aqui é exatamente o oposto, mostrar que qualquer um pode fazer sua própria bala, incluindo eu. Não sou muito fã de trabalhos com açúcar, quero dizer, admiro quem trabalha mas toda vez que tento fazer uma calda, alguma coisa errada acontece.

Mas durante nossa viagem no último verão uma coisa me marcou. Passamos por uma antiga e tradicional loja de doces no estado de Montana, a Sweet Palace, um lugar que fabrica “billhões” de diferentes tipos de caramelos além de vender todo tipo de bala imaginável. Essa experiência me desafiou e despertou aqui dentro uma vontade de testar algumas receitas. Só estava esperando pela oportunidade certa.

E como se não bastasse o Halloween como desculpa, esse mês está rolando um desafio entre alguns blogs de comidinhas de se consumer apenas comida não processada. Claro que isso pode ser muito subjetivo mas a idéia geral é de se tentar ao máximo produzir a sua própria comida e deixar um pouco de lado os congelados, enlatados e processados tão presentes na vida diária dos americanos. E apesar de estar aconpanhando as aventuras da Tiffany e achar essa iniciativa super corajosa, não estou participando e não escrevi sequer uma nota sobre o assunto.

A boa coisa é que ainda tenho um tempinho sobrando. E aqui vai minha contrinuição, para o Halloween e para o desafio:  balinhas de manteiga de amandoim caseiras.

A receita foi adaptada do livro Chocolates and Confections: Formula, Theory, and Technique for the Artisan Confectioner, um livro que é totalmente direcionado pra quem trabalha no ramo e que traz uma linguagem um pouco complicada. O bom é que essa receita em particular é surpreendente fácil. E deliciosa!

Levei cerca de 30 minutos – mais o tempo de resfriamento – para obter 60 balas (sem contar o que comi antes de embrulhar!).

Combine a glucose de milho, melaço, açúcar e leite condensado em uma panela. Cozinha até atingir a temperatura de 118ºC, mexendo constantemente. Para fazer o teste, pingue uma gota da mistura em uma tigela com água fria, o líquido deve formar uma bola firme mas que achate quando pressionada.

Retire do fogo, misture o sal e adicione a manteiga de amendoim.
Despeje sobre uma placa de mármore ou uma assadeira untada e vire ocasionalmente até resfriar e atingir a uma consistência de plástico.
Puxe a massa com as duas mãos até obter uma cor um pouco mais clara e textura mais leve. (Esse processo é o mesmo que usamos para fazer bala de côco mas você não precisa “puxar” por muito tempo e nem até a massa açucarar – aqui segue um bom exemplo de como fazer.

Estique até formar uma corda com um 1,5cm de diâmetro. Corte em pedaços de 2 cm.
Envolva imediatamente para manter a forma e para proteger da humidade.
Nota: A temperatura de 118ºC irá produzir uma bala mais dura, de uma textura relativamente firme. Para um resultado mais suave, cozinhe menos (mas não menos que 113ºC – bala mole).

Sábado passado foi o dia da última feira livre mais próxima de mim. Corri pra pegar alguns produtos frescos e dizer adeus a coisas que eu só vou ver de novo em provavelmente 8, 9 meses. É claro que bateu uma certa tristeza com todo o clima de despedida que estava rolando, os vendedores dando adeus aos clientes, o vento soprando e derrubando as cestas vazias, as tendas todas sem cobertura acentuando a idéia de que alguma coisa estava prestes a acabar.

Mas logo veio a minha mente que não havia razão para sofrer. O outono, a estação que eu chamei de a mais saborosa do ano a duas semanas atrás, está aqui! Peguei então meus tomates orgânicos, algumas abóboras, beringelas e vim pra casa pensando na melhor maneira de usá-los. E sei que é um clichê mas decidi que queria fazer uma lasanha com tudo isso. Afinal, pelo menos para mim, é hora de deixar de lado saladas frias, parar de contar calorias e comer um prato rico e que me esquente. Tem coisa melhor que lasanha pra isso?

Na verdade, esta é uma falsa lasanha porque não contém massa em sua composição. No lugar, berinjela e abobrinha cortadas em fatias finas, grelhadas e unidas por um rico molho de tomates assados e porções generosas de mussarela. Deliciosa do mesmo jeito.

De todas as receitas de molho de tomate que já fiz na vida, e olha que foram muitas, essa tem sido minha favorita ultimamente. O processo de assar só acentua o sabor dos tomates e te dá um molho super incorpado, além de ser super simples de preparar.

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Corte os tomates previamente lavados ao meio, tempere com alho, sal, pimenta e o açúcar. Junte o azeite e mexa até estar tudo bem distribuido. Espalhe as metades de tomate em uma fôrma com a parte cortada voltada para cima. Junte a cebola e asse de 35 a 45 minutos ou até que os tomates estejam completamente macios e o fundo da forma caramelizado.

Deixe esfriar e bata no liquidificador até obter a consistência desejada. Costumo usar os tomates com pele e semente mas se você queizer um molho mais fino e só passá-lo por uma peneira fina.

Rende molho suficiente para duas lasanhas.

Comece preparando o azeite para temperar os legumes – a quantidade pode variar de acordo com o tamanho dos vegetais por isso comece usando ¼ de xícara e tenha uma pouco a mais em mãos.

Em um pequeno bowl, coloque o azeite, alho, pimento e orégano.  Arranje as fatias de berinjela e abobrinha em uma só camada e tempere-as com sal. Com a ajuda de um pincel de cozinha, pincele os dois lados de cada fatia com o azeite temperado e grelhe-as dos dois lados até estarem completamente cozidas. Gosto de usar a grellha sempre que posso, o sabor dos legumes é algo sem comparação.

Se não for possível, para preparar a berinjela e abobrinha no forno, tempere-as do mesmo jeito e asse-as separadamente em forno quente (250 ºC) até que estejam cozidas.

Monte a lasanha. Espalhe uma camada de molho no fundo de uma fôrma de aproximadamente 20X15cm. Arranje uma camada de berinjela, cobra com uma camada fina de molho e espalhe mussarela por cima. Arranje uma camada de abobrinhas, molho e mussarela. Continue o processo alternando camadas de berinjela com camadas de abobrinha até usar todos os ingredientes, sempre finalizando com molho. Asse a 200 ºC por 20 minutos, espalhe mais mussarela por cima e volte ao forno para gratinar por mais 5 minutos. Sirva quente.

Existem duas coisas sem as quais eu não consigo viver, meu computador e um bom pão. Três dias atrás meu computador parou de funcionar e me deixou super pra baixo. Despois de seis meses de uso intensivo, acho que ele precisava de um tempo. Bem que ele tentou me dizer algo mas eu não liguei e ele resolveu se rebelar.

Felizmente meu generoso marido está pacientemente me emprestando seu PC pra que eu possa postar mais uma vez. E no fundo, apesar de todo o meu lamento, um tempo longe do computador acabou sendo útil. Como diz o bom e velho ditado, há males que vêm para o bem, certo? Então, tirei um tempinho pra organizar minhas coisas e acabei encontrando um livro que ganhei da minha professora de inglês e dos meus colegas, a primeira edição (1973) do livro The Complete Book of Breads, escrito por Bernard Clayton Jr.

O livro parece ser um clássico por aqui e resolvi então pesquisar sobre Bernard, morto em 28 the maio desse ano, aos 94 anos. Descobri, entre outras coisas, que seu entusiasmo em fazer pão o levou a transformar seu hobby em carreira, inspirando muitos outros padeiros amadores por todos os Estados Unidos. E qualquer um que embarca nessa aventura de explorar o mundo da panificação com tamanha paixão merece meu respeito e adimiração. No final tudo isso acabou me inspirando a criar esse sanduiche e celebrar o pão uma vez mais.

A idéia aqui é usar um pão de nozes e uvas passas, ingredientes que complementam o recheio de alho assado e blue cheese. Mas para ser justa, esse é um tipo de pão mais comum aqui nos Estados Unidos. Se quizer e tiver que substituir, tente encontrar um bom pão com algum elemento doce para dar uma balanceada no forte sabor da pastinha. E se não tiver opção use um pão italiano para montar o sanduíche e sirva com algum tipo de geléia ou mel! Acredite, fica bom!

O sanduiche não tem nenhum segredo mas a pastinha pode tomar um pouco de tempo. O bom é que pode ser preparada com antecedência e guardada da geladeira sem problemas. Na verdade, essa receitinha é um coringa para se ter na geladeira todo o tempo. Vai bem com uma carninha grelhada, serve para temperar uma salada de batatas ou dar vida nova a um macarrão.

Aqueça o forno a 150˚C. Descasque o alho e coloque-o em um pirex pequeno que possa ir ao forno. Tempere com sal, pimenta do reino e adicione dois galhinhos de tomilho, cubra com o azeite.

Cubra com papel alumínio e asse por 20 minutos. Retire o pirex do forno, adicione o queijo gorgonzola, cubra novamente e asse por mais 15 minutos ou até que os dentes de alho estejam macios.

Descarte o tomilho, escorra o azeite – dica: o azeite de oliva fica maravilhoso e também pode ser usado em diferentes preparações; não jogue fora!! Amasse os dentes de alho com o queijo até obter uma pasta homogênea.

Divida e pasta entre quatro fatias de pão e espalhe bem, cubra com mussarela e feche os sanduíches com as outras fatias de pão.

Grelhe dos dois lados até que o queijo esteja totalmente derretido e o pão dourado. E não esqueça a cervejinha!

Se eu pudesse escolher uma coisa do hemisfério norte pra levar comigo eu escolheria a mudança das estações. Eu invejo cada pequeno detalhe dessas mudanças, a brisa que anuncia o fim do verão e as frutas vermelhas anunciando que ele começou outra vez; a neve derretida e barrenta dizendo que o inverno já era e seus pesados flocos prevendo que outro inverno frio e cinza veio pra ficar.

A primavera então, já é um conceito totalmente diferente pra mim. Não é somente a estação das flores – também temos flores lindas no Brasil, e elas adornam nossa terra durante todo o ano não? – mas a expectativa de ve-lâs florecer mais uma vez, os pequenos brotinhos aparecendo para colorir as árvores, o sol escondido começando a esquentar, brilhar e impor o fim do inverno.

E por último vem o outono. Essa já não é mais a estação cinza que costumava ser pra mim, a estação que impedia o verão de circular, mostrando que a gente tem responsabilidades e que a vida não é um eterno carnaval – ou piquinique, dependendo de onde você está. Ao invés disso, o outono se tornou uma paleta de cores que, combinadas com o ar gelado e as folhas “crocantes”, fazem de mim uma garota faminta.

E esses pastéizinhos de abóbora são só o começo – assim espero – uma entradinha para celebrar a estação mais saborosa do ano por aqui.


Acho que já conversamos sobre essa massa mas não custa te avisar mais uma vez: essa é A RECEITA DE MASSA SALGADA QUE VOCÊ QUERIA!!!! Sério, ela é o meu xodó, uso pra fazer quiches mas ela é super maleável e fácil de ser trabalhada, especialmente se o assunto é pequenos petiscos e salgados como esses pastéis.

Para dias quentes, separe todos os ingredientes da massa e deixe que resfriem na geladeira por aproximandamente 1 hora e, se pretende trabalhar com as mãos, tente mantê-las frias. A temperatura é fundamental para o sucesso aqui.

1. Coloque a farinha, o sal e manteiga gelada e cortada em cubos em um bowl médio.Trabalhe com a ponta dos dedos ou com o “garfo” para massas até a misture ficar com um aspecto de uma farofa grossa. O resultado deve ser uma farofa onde toda a farinha foi “umidecida” mas restaram alguns pedaços visíveis de manteiga.

2. Bata o ovo e 3 colheres de creme de leite. Deixe o creme à mão caso seja necessário. Despeja a mistura sobre a “farofa”.

3. Usando somente a ponta dos dedos (como se estivesse simulando o gancho de uma batedeira), incorpore as duas misturas rapidamente e em movimentos circulares, sem sovar a massa.

4. Continue misturando. A massa deve se ligar  rapidamente e se isso não acontecer, acrescente mais uma colher de creme de leite.

5.  Não se preocupe com manchas, como já disse pedaços visíveis de manteiga e creme são um aspecto positivo.  Pressione para formar uma bola, cobra com filme plástico e deixe na geladeira por pelo menos 15 minutos antes de abrir.

IMPORTANTE: essa massa pode ser congelada ainda crua por até um mês!!!

*Para essa receita usei o queijo Bucheron mas você pode usar o queijo de cabra que encontrar. Apenas peça para provar e tenha certeza de que é um queijo que te agrada antes de comprar.

Preparando o recheio:

1. Se estiver usando a abóbora crua:

Corte a abóbora em 4, retire as sementes e corte cada quarto na metade. Em um bowl grande, misture os demais ingredientes com a abóbora. Arranje tudo em assadeira grande e asse por 30 minutos ou até que a polpa esteja macia e a casca saia com facilidade. Amasse com um garfo e deixe esfriar completamente antes de usar.

2. Se estiver usando a abóbora já cozida e amassada:

Refogue cebola e alho no azeite. Junto os demais ingredientes, misture bem e deixe esfriar completamente antes de usar.


Pré aqueça o forno a 180C˚. Corte o queijo em 24 pequenos pedaços.
Coloque a massa sobre uma superfície enfarinhada e abra com um rolo até a espessura de ½ cm. Corte círculos de massa de 10 cm de diâmetro. Coloque um pouco do pure de abóbora no meio de cada círculo e cubra com um pedaço de queijo de cabra. Dobre os círculos ao meio e aperte com a ponta de um garfo. Tenha certeza de que os pastéis estejam bem selados para que o recheio não vaze no forno.

Arranje-os em uma fôrma. Continue o mesmo processo até que toda a massa tenha acabado. Rende aproximadamente 24 pastéis.

Pincele com um ovo batido, cubra com gergelim e asse por 30 minutos ou até que os pastéis estejam dourados.

Por um bom tempo, a única idéia que tinha sobre café da manhã americano era aquela pintada pelo cinema: um cara gordo e grotesco, suado, sentado em um restaurante estilo anos 50, comendo uma pilha gigante de panquecas cobertas com gordurosas fatias de bacon, tudo acompanhado por uma bela dupla de ovos fritos. De repende, o cara pega uma jarrinha contendo um líquido viscoso e começa a despejar esse tipo de “mel” – que só mais tarde fiquei sabendo que se tratava de xarope de maple – em cima de toda a comida, deixando tudo ainda mais confuso.

Vamos concordar, essa não é a melhor maneira de se apresentar a refeição que os próprios americanos consideram ser a mais importante do dia, não?

Felizmente, sei agora que o café da manhã por aqui é muito mais que isso e essa cassarola de ovos me ajudou muito nesse processo. Quem me apresentou esse prato foi minha professora de inglês, Ceci. Ela trouxe uma receita para a classe numa certa manhã e em menos de cinco minutos já não havia mais nada no pirex. Isso se torna ainda mais significativo se você considerer que minha classe tem, provavelmente, mais de dez nacionalidades representadas, um bando de pessoas diferentes acostumadas com tantos diferentes sabores; e esse poderoso prato conquistou todos eles.

Alguns dias depois ela me deu a receita e contou que essa era uma especialidade da sua mãe. Já repeti a receita várias vezes, sempre nos finais de semana, quando gostamos de tomar um café da manhã “atrasado” ou, se você preferir, um brunch. É fácil, simples e pode receber tantas variações quanto a sua imaginação é capaz de pensar.


*O tipo de linguiça usado aqui é muito diferente do que o que encontramos nos supermercados brasileiros. Por isso, para um sabor mais autêntico aqui vai uma receitinha de “pork sausage” do apresentador de tv Alton Brown. Adaptando, você pode pedir para o açogueiro moer a carne na hora e em casa você só acrescenta os temperos. E nem pense na palavra tripa, para essa receita você só precisa do “recheio” da linguiça.




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