` Give me Flour | - Part 14

Give me Flour

As coisas estão começando a fugir do meu controle. E eu sei que essa não é somente a sensação de alguém que acabou de ficar livre do gesso na perna (SIM!!!!) e sabe que tem um montão de coisas pendentes pela frente pra resolver.

Os últimos dias realmente foram movimentados. Conheci novas pessoas através do Give Me Flour, tanto no mundo virtual como no real, consegui marcar presença no Maple Festival, o “grand finale” da estação anual de maple e finalmente comi em um tradicional restaurante da cidade. Até agora estou me perguntando porque não conheci Kevin’s Place antes.  Costumava passar por perto quase todos os dias quando levava minha filha para a escola e nunca, nunca liguei pra esse lugar. Mas esqueça Kevin’s por enquanto, ele merece um post exclusivo só pra ele.

Uma coisa que realmente está me incomodando é o fato de que semana passada ganhei uma nova amiga. Não, não é a amiga que está me incomodando mas o fato dela ter que conviver com uma dieta super restrita, livre de glúten e produtos derivados do leite de vaca. Senti vergonha e medo ao mesmo tempo; vergonha porque como profissional do setor alimentício, nunca liguei muito para essas dietas; medo porque não sei como lidar com uma despensa que não tenha farinha de trigo e manteiga.

Poderia dizer em minha defesa que alergias como essas não são tão comuns no Brasil, o que é verdade. Estudos comprovam que, pelo menos se tratando da intolerância ao glúten, europeus e norte americanos estão muito mais propensos a sofrer de doença celíaca.

O que continua não sendo uma desculpa para evitar o assunto, principalmente para alguém que acredita na filosofia de que comida foi feita pra unir as pessoas e não para separá-las.

Essa história toda não parava de martelar na minha cabeça. Interessante que domingo, quando fomos no North Park Village para participar do Festival do Maple, um evento educacional com demonstrações de todo o processo de produção e degustação (claro!), “recebi” outro sinal de que deveria começar a dar mais importância para o assunto.

Quando chegamos a primeira coisa que chamou minha atenção foi uma banca de maçãs de Michigan. Quando paramos para conferir, a surpresa, os caras estavam vendendo, além das maçãs, farinha de castanha portuguesa que, por acaso, não contém gluten.

Com uma cesta de maçãs em uma mão e um saco de farinha na outra, comecei minha aventura por um terreno desconhecido. Só estava faltando algo para adoçar mas isso não foi nada difícil de decidir: xarope de maple, claro!

Essa é uma receita super simples mas exatamente o que se espera de um crisp de maçã, uma cobertura arenosa e ao mesmo tempo crocante, um sabor acentuado de nozes escondendo uma perfeita e quentinha compota de maçãs.

Como opção para a gordura vegetal, você pode usar banha de porco ou até mesmo manteiga, mas somente se não tiver nenhum problema com derivados de leite.

Comece pela cobertura. Misture a farinha, açúcar, sal e canela. Adicione a gordura e misture até obter a aparência de uma farofa. Adicione as nozes, espalhe em uma fôrma e leve ao freezer por pelo menos 15 minutos.

Essa farofinha é super prática. Guarde na geladeira por até uma semana ou no frezer por 3 meses.

Você também pode dobrar a receita para congelar. E nem precisa descongelar porque quanto mais geladinha, melhor o resultado final.

Pre-aqueça o forno a 180˚C. Corte as maçãs em fatias finas, adicione o limão, maple, amido de milho e essência de baunilha. Divida a mistura em quatro ramekins. Cubra com uma generosa camada da nossa massa-farofa e asse por trinta minutos ou até o recheio começar a borbulhar e querer vazar pelas bordas do ramekin.

Fique de olho e se a cobertura começar a dourar muito rápido, cubra cada ramekin com um pedaço pequeno de papel alumínio (não abafe, apenas coloque o papel solto por cima para proteger e evitar que a cobertura queime). Continue assando até o recheio burbulhar.

Delícia! Agora só me falta prová-lo com uma bola de sorvete de queijo de cabra que minha amiga Catherine fez semana passada, receitinha do blogueiro David Lebovitz.

Sobre o Maple Festival?  Maravilhoso! Sei que sou totalmente suspeita, provei xarope de maple pela primeira vez aqui nos Estados Unidos e me apaixonei. Agora tento usá-lo sempre que posso. A única razão de não bebe-lo puro é porque tenho medo de enjoar, se é que isso pode acontecer.

E entender um pouquinho do processo de fabricação só fez aumentar meu respeito por maple e pela natureza. Sem falar no fato de que meu coração derreteu quando o guarda florestal nos falou que esse ano a estação de maple foi mais longa por causa do inverno um pouco mais “quente” (pelo menos nessa região). Senti como se as árvores estivessem esperando por mim, esperando meu pé melhorar para que eu pudesse estar presente.

Temperatura é um fator fundamental no processo. A história toda começa no final do verão e início do outono quando as árvores “param” de crescer e começam a armazenar amido . Quando a temperatura começa a subir novamente, no final do inverno, esse amido se transforma em açúcar que vai direto para a seiva, o “sangue” da árvore.

Mais uma vez o aumento da temperatura atua criando pressão, fazendo com que a seiva suba para os galhos. É mais ou menos como se eles estivessem dizendo “Vamos lá, me mande comida, eu preciso das minhas folhas de volta”.

E é exatamente esse o momento perfeito para a extração da seiva, momento que  pode variar entre alguns dias ou semanas, dependendo da variação da temperatura.

Mas essa etapa deve ser feita de forma consciente. É quase como retirar sangue, pessoas com menos de 18, que não tenham determinado peso ou que sofrem de alguma doença não são consideradas doadoras.

Além disso é necessário medir a árvore para saber quandos buracos fazer e a quantidade certa de seiva a ser coletada sem prejudicar a sua saúde. E acho que esses caras poderiam estar usando uma régua ou fita métrica mais precisa para fazer o serviço, mas pra que desperdiçar a chance de abraçar uma arvore não é mesmo?

Depois de feitos os buracos, uma espécie de torneira é encaixada para ajudar na coleta e baldes (ou galões de leite!!!) são pendurados para armazenar a “água”.

Sim, a seiva é quase uma água e quase não tem sabor. Para te dar uma idéia, 150 litros de seiva produzem menos que 4 litros de xarope de maple.

O próximo passo então é ferver, ferver, ferver…………..

A pergunta que não quer calar agora é “Quem e como esse alguém descobriu a maneira de se fazer maple?”

Só queria poder voltar no tempo, encontrar essas pessoas e dizer OBRIGADA!

Mais uma vez o mundo virtual mostra sua força ao se engajar e recrutar o mundo real em favor de uma causa. É hora de ajudar o Japão!

Blogs de comidinhas não poderiam ficar de fora. Por isso uma venda on line de quitutes está para começar.  Sabrine Modelle do blog The Tomato Tart, a anfitriã, teve a idéia, contactou alguns amigos e mais de 60 blogs de 8 differentes países se juntaram a eles.

A venda vai acontecer em formato de leilão, no dia 30 de Março. Cada blog participante vai doar uma guloseima diferente, alguns blogs vão até “exportar” suas doações. Por isso você que está no Brasil também pode participar, confira o que está sendo oferecido e dê seu lance.

O dinheiro arrecadado vai ser doado para a Second Harvest Japan, um banco de comidas que está respondendo a esse momento de crise de uma forma direta e significativa – alimentando aqueles que necessitam.

Todos aí no Brasil sabemos que nosso país hospeda a maior comunidade de japoneses fora do Japão não é? A maioria chegou no início do século para trabalhar nas grandes plantações de café e, aos poucos, eles ajudaram a construir um pouco do nosso país. Portanto essa não é apenas uma forma de ajudar mas de mostrar nossa consideração para com o Japão e sua população.

Give Me Flour está doando duas caixas de brigadeiros! E de quebra, um tutorial para todos que passarem por aqui.

Outras opções para você não ficar de fora:

bbbbbbbbbbbbb

____________

Asha Pagdiwalla do blog Fork Spoon Knife e mais alguns blogs se uniram para realizar o International Food Bloggers Auction for Japan e arrecadar dinheiro para a Cruz Vermelha. O leilão está aberto para leitores de todo o mundo!!

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

aaaaaaaaaaa

aaaaaaaaa


Helene Dujardin do Blog Tartelette, a famosa e fantástica bloggueira, “food stylist” e “food photographer” estará doando 20 dólares para cada foto sua vendida através do site Eatsy.

Encontre sua maneira de ajudar!!

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

aaaaaaaaaaaaa




Misture em uma panela pequena o leite condensado, o chocolate em pó, a manteiga, o sal e o mel. O sal acentua o sabor e o mel dá um brilho extra à massa. Leve ao fogo médio e cozinhe sem parar de mexer, de preferência com uma espátula de silicone.

Costumamos dizer que o brigadeiro está pronto quando é possível ver o fundo da panela.  E o tempo para isso acontecer vai variar de acordo com a potência do seu fogão e com a quantidade e qualidade de chocolate que está usando. Quanto mais chocolate, mais rápido a massa vai engrossar. Todo o processo pode variar de 10 a 20 minutos. E tenha em mente que o brigadeiro, depois de frio, vai engrossar ainda mais.

Lembre-se que o ponto do brigadeiro também é relativo e vai depender do seu gosto. Se cozinhar demais o resultado será um brigadeiro “puxa”, mais mole que bala de leite mas com uma textura pegajosa de caramelo. O que não é ruim se você gosta de bala de leite como eu.

O problema é que eu também gosto de DOCE de leite e adoro quando meu brigadeiro fica com a mesma textura.  O chato aqui é enrolar, a gente acaba ganhando na cremosidade mas dá um trabalhão para fazer as benditas bolinhas.

Uma solução é fazer bridadeiro de colher, super simples! Enxa copinhos com pequenas porções ou devore tudo na panela mesmo.

Mas se você faz questão das bolinhas, deixe o brigadeiro esfriar completamente e guarde-o no freezer por pelo menos uma hora antes de enrolar ou na geladeira de um dia para o outro, facilita muito o trabalho! Preste atenção na dica das forminhas logo abaixo, elas também são importantes.

Bom, até aqui estávamos falando do brigadeiro convencional. Mas as coisas sempre podem melhorar não é? Dois ingredientes que podem fazer seu brigadeiro dar um salto de qualidade são creme de leite e chocolate em barra.

Sempre usei creme de leite nas minhas receitas, acho perfeito porque o resultado é uma textura ainda mais cremosa e um brigadeiro menos doce. Brigadeiro com creme de leite também é perfeito para ser usado como recheio ou cobertura de bolos.

Quanto ao chocolate em barra, sei que muita gente tem usado, principalmente nos chamados brigadeiros “gourmets”. O uso também vai depender muito do seu gosto mas eu recomendo que você experimente, a textura final é a melhor de todas!

Para acrescentar tanto o creme de leite quanto o chocolate (ou ambos) faça a receita básica, desligue o fogo e adicione esses ingredientes extras. Misture bem e deixe que o chocolate derreta com o calor da própria massa. Volte ao fogo e cozinhe até engrossar novamente.

Use ainda quente para enxer copinhos, rechear e cobrir bolos ou deixe esfriar completamente antes de enrolar. Enquanto isso….

Você já ouviu pessoas dizerem que preferem brigadeiro de colher a brigadeiro enrolado?? Eu mesma já afirmei isso muitas vezes! Mas não vamos culpar as bolinhas antes de analizar os fatos né? Acho que o verdadeiro vilão nesse história toda é o granulado com o qual cobrimos o brigadeiro. Caprichamos na massa, usamos os melhores ingredientes, o melhor leite condensado e, na hora de finalizar, rolamos as bolinhas numa coisa que nem sabemos direito o que é. Preste atenção na embalagem, chocolate granulado não passa de um confeito de açúcar colorido artificilmente ou de confeito a base de chocolate hidrogenado, com exceção de algumas marcas importadas e caras, acessíveis a poucos!

Para não haver confusão, rale seu próprio chocolate. Escolha sua marca e tipo preferido, ao leite, meio amargo ou branco. Rale na parte fina de um ralador e deixe na geladeira por pelo menos 10 minutos antes de usar, para evitar que derreta em contato com a brigadeiro.

Unte as mãos com manteiga e modele do tamanho desejado e cubra imediatmente com as lasquinhas de chocolate.

As forminhas também são fundamentais. Os brigadeiros, depois de enrolados, vão voltar à temperature ambiente e se estiverem muito cremosos vão perder a forma. Por isso coloque-os em forminhas de boa qualidade e do tamanho certo, nem muito grande, nem muito pequena. Para forminhas convencionais, use de duas a três capinhas para cada docinho para obter um suporte melhor.

Uma lata de leite condensado rende aproximadamente 30 brigadeiros que também podem ser congelados! Está pronto o perfeito e mais amado docinho do Brasil.

O telefone tocou. Minha filha de sete anos atendeu e começou: “hum-hum….sim ….eu estou bem……sim, tudo bem na escola, sim……desculpa, eu vou passar para a minha mãe, estou ocupada fazendo quiche!”

Do outro lado da linha minha irmã mais nova, 25 anos, surpresa: “Ela está fazendo quiche?” Pois é, ela estava; ficou muito, muito bom e o melhor de tudo, ela manteve o sorriso no rosto pelo resto do dia por ter preparado um jantar tão gostoso!

E ela simplesmente provou, uma vez mais, que quiche é a torta mais fácil de todas.

Sim, podemos dizer que quiche é uma torta, mesmo que aberta; uma massa crocante e “flocada”com um recheio a base de ovos e creme, ponto. Não precisamos cozinhar o recheio e nem mesmo pré-assar a massa (apesar de muitas receitas incluirem essa etapa).

Uma quiche básica já seria necessária pra fazer muita gente feliz. Mas porque parar por aqui se a vida, mesmo que simples,  pode ser muito mais divertida e colorida? Sobrou uma berinjela grelhada na geladeira? Cogumelos estavam em promoção? Precisa de ainda mais bacon na sua dieta? Ou está apenas procurando um motivo a mais para sorrir?

Por que quiche é um prato democrático com espaço de sobra para aceitar todas essas variações. Até mesmo um brócolis congelado pode ir direto do frezer para dentro da torta e ter seu cozimento perfeitamente finalizado no forno sem a gente ter feito muito esforço.

E, além da facilidade, todo mundo deveria ser obrigado a fazer um prato que carrega em si os saudáveis benefícios de um sorriso!

Bom, estou fazendo a minha parte dividindo a receita. E não gosto de ser injusta mas realmente não me lembro de onde veio essa. Já fiz quiches tantas vezes e já mudei tanto que me sinto no direito de chamá-lo de “minha quiche”.

Aqui vai então um “livreto” com instruções e dicas, coisinhas que aprendi com a prática e que espero serem úteis para você. E mesmo que não ligue para quiches vale a pena dar uma olhada na receita porque essa é a massa de tortas que você vai querer guardar. Conheço várias receitas compostas por farinha, algum tipo de gordura e água como elemento de “ligação”. Mas aqui o uso de ovo e creme é que fazem a união e o resultado é uma massa muito rica, leve e fácil de ser trabalhada.

___________

aaaaaaaaa

A massa pode ser feita  no processador ou à mão, usando as pontas dos dedos ou um “garfo” como o da foto ao lado.

Sei que esse garfo não é fácil de ser encontrado no Brasil (pelo menos não era quando eu estava aí) mas se você achar não deixe de comprar. Pessoalmente acho essa ferramenta mais eficaz que um multiprocessador.

Primeiro porque não tenho paciência de limpar essas máquinas cheias de peças por todos os lados.

Segundo porque o garfo me dá um resultado mais irregular, com pedacinhos vísiveis de manteiga que resultam em uma massa muito mais “folhada”.

Aqui vão apenas alguns exemplos de variações usando a mesma massa e o creme básico de ovos:

Espinafre e feta: mantenha a mesma quantidade de queijo e substitua o brócolis por espinafre. Faça o branqueamento de  4 xícaras cheias de folhas de espinafre da seguinte forma: ferva uma panela com água e prepare um bowl com gelo. Jogue as folhas de espinafre na água quente e, assim que a água voltar a ferver (aproximadamente 30 segundos), transfira-as para o bowl de gelo. Depois de resfriadas, escorra, tempere e empregue na receita.

Tomate e manjericão: Use mussarela e parmesão de boa qualidade para cobrir a massa. Retire a pele e as sementes de três tomates e pique-os em pedaços pequenos. Tempere com azeite, ¼ xícara de folhas de manjericão, sal e pimento do reino a gosto. Empregue na receita. Você ainda pode usar tomates secos ou assar os tomates picados antes de usá-los na quiche.

Gorgonzola e alho poró: para um sabor mais suave, use 2 ½ de mussarela ralada e ½ xícara de queijo gorgonzola amassado. Fatie a parte branca de um alho porró grande, tempere com sal, azeite e pimenta e empregue na receita.

Abrindo a massa:

Separe uma fôrma redonda de aproximadamente 22cm ou um pirex de vidro se preferir . Com uma tesoura, abra um saco plástico em duas partes. Polvilhe uma das partes com farinha, coloque a massa já descansada sobre ela, polvilhe mais farinha e cubra com a outra metade do plástico. Comece a abrir a massa do meio para as bordas até atingir a expessura de 3 a 5 mm.

Para forrar a forma remova apenas um dos plásticos e inverta a massa sobre a forma usando o outro plástico como suporte. Pressione levemente, alise para retirar as bolhas de ar e só então remova o plástico que ficou.

Corte o excesso, cubra novamente e coloque a massa no frezer enquanto prepara o recheio.

Recheios:

Como você pode perceber, a quiche é composta de dois recheios, o creme básico que caracteriza a quiche em si e o recheio que dá o “sabor” à nossa torta.

Para o primeiro apenas bata os ovos com o creme de leite, tempere com os demais ingredientes e reserve na geladeira.

Para o “sabor”, reserve os queijos e tempere o brócolis com os demais ingredientes. Se preferir um sabor mais suave basta refogar a cebola e o alho no azeite antes de empregar.

Não é super simples?? E para as variações o trabalho é quase o mesmo, basicamente misturar os ingredientes e montar a torta.

Aceita um pedaço?

Eu tenho um sonho!

March 14th, 2011

Vim para os Estados Unidos trinta e um meses atrás. Esse importante acontecimento veio como um grande farol de esperança para mim, uma pessoa que estava estagnada e presa nas chamas da língua inglesa. Veio como uma alvorada para iluminar a longa noite do meu cativeiro e me fazer capaz de aprender e decodificar livros de receitas americanos.

Mas 2 anos e meio depois eu ainda não posso desfrutar da minha liberdade. Dois anos e meio depois minha vida continua tristemente presa pelas algemas do sistema métrico e pelas correntes das libras e onças!!!

E apesar desse meu lamento acima ter um tom exagerado de paródia e não passar de uma evocação ao discurso do saudoso Dr. Luther King, lá no fundo eu não estou brincando. Inglês sempre foi uma enorme barreira na minha vida e com certeza ainda tenho muita a aprender mas, quando o assunto é cozinha, eu me sinto presa pelas algemas das medidas. Especialmente quando se tratam de receitas de confeitaria onde tudo é muito mais preciso.

Enquanto no Brasil se usa kilos, gramas, litros, mililitros, metros, centímetros, etc, aqui nos Estados Unidos as medidas adotadas são libras, onças, galão, quarto de galão, polegadas, pés, etc.

Só para te dar um exemplo, uma libra equivale a 450g enquanto 1 onça é igual a 28.35g. Agora me diga, o que são esses números? E as siglas então? Oz para onça – onces em inglês? Da onde vem esse “Z”? (Ficou curioso?)

Eu tenho tabelas de conversão espalhadas por toda a cozinha. Até mesmo um ímã de geladeira, presente de uma amiga e talvez um dos melhores que ganhei nos últimos tempos. Mas não basta só isso. Escrever minhas receitas para o blog requer muito trabalho e cálculo quando considero a quantidade dos ingredientes.

O melhor exemplo é a manteiga. A maioria das receitas americanas pedem “x” tabletes de manteiga. E todo mundo aqui sabe que manteiga geralmente é vendida em libra, uma caixinha de 1lb  que vem dividida em 4 tabletes de ¼ de libra ou 113g. Mas eu sei que no Brasil manteiga é vendida em barras de 200g, o que equivale a 0,444444444 libras. Não é um tablete, 1 ½, nem tampouco dois, é um número louco que me deixa cansada só de pensar nele!!!!!

E a mesma coisa acontece com o processo contrário, quando tenho que passar minhas receitas para o inglês. Desenvolvi a receita desse post quando estava aí no Brasil, inspirada em uma torta vendida numa das melhores confeitarias que já conheci, a Mister Cuca em Londrina. O resultado foi surpreendentemente bom e eu fiquei orgulhosa da minha criação, por isso achei que valia o esforço. E depois de ficar louca medindo um ingrediente e cortando outro, finalmente tenho a receita convertida.

E ainda que eu enfrente as dificuldades do presente e as dificuldades que ainda virão, eu continuo tendo um sonho!!!!

Eu tenho um sonho de que um dia o mundo todo use o mesmo sistema métrico de medidas!!!


Para a massa comece peneirando a farinha de trigo, o sal e o chocolate em pó tudo junto. Bata a manteiga com o açúcar até a mistura ficar cremosa e clara. Adicione a gema e bata até incorporar. Com as mãos, adicione os ingredients secos cuidadosamente, até formar uma massa coesa mas sem trabalhar demais a massa. Cubra com filme plástico e deixe descansar na geladeira por pelo menos 15 minutos.

Unte 4 forminhas de 10cm cada ou use formas anti-aderentes. Divida a massa em quatro e espalhe nos fundos e lados de cada uma delas. Esquente o forno a 180˚C. Cubra cada forminha com papel manteiga e preencha com feijões (os feijões funcionam como um peso e impedem que a massa se contraia no forno). Asse por 10 minutos, retire os feijões e asse por mais 8 a 10 minutos. Deixe esfriar por mais 10 minutos e desenforme.

Para o recheio de banana, misture todos os ingredientes e cozinhe em fogo médio até ferver. Deixe esfriar antes de usar.

Faça o creme de confeiteiro. Ferva o leite em uma panela pequena. Em um bowl, bata a gema com o amido de milho e o açúcar. Despeje o leite gradualmente sobre a mistura de gema, mexendo sempre. Volte a mistura para a panela e cozinhe até engrossar, mexendo constantemente. Desligue o fogo, adicione a baunilha e a manteiga mexendo para que ele se incorpore.

Cubra ainda quente com filme plástico tocando o creme. Isso impede com que aquela nata indesejável se forme. Deixe esfriar completamente antes de usar.

Para a ganache, ferva o creme de leite no microondas ou em uma panela. Adicione o chocolate e o mel e deixe repousar por 5 minutos para que o chocolate derrete com o calor do creme. Só então misture suavemente até incorporar. Dica: não misture demais a ganache para evitar a formação de bolhas e para obter uma cobertur mais homogênea. Use imediatamente ou guarde na geladeira e reaqueça antes de usar.

Cubra o fundo de cada torta com o recheio de banana e ponha uma colher cheia de creme de confeiteiro sobre ele. Enquanto a ganache ainda está líquida (se não, reaqueça antes de empregar), despeje sobre o creme de confeiteiro virando suavemente cada tortinha para conseguir uma cobertura lisa.

Deixe na geladeira por pelo menos duas hora antes de servir.

Há males que vêm para bem, já dizia o ditado. Ficar confinada em casa com um pé quebrado e um resfriado que não passa me deixou com tempo livre (até demais) pra descobrir coisas fantásticas acontecendo nesse momento no mundo virtual, como o “Charcutepalooza”.

Esqueçam o Carnaval, a Charcutepalooza (“shar-coo-ta-pa-loo-za”) é um outro tipo de “festa da carne” e tem pelo menos mais 9 meses pela frente de muita celebração. Os participantes, blogueiros dos mais diferentes lugares, esperam passar um ano desenvolvendo suas habilidades de curar, salgar e defumar além de compartilhar suas experiencias, refletir sobre a carne que consumimos hoje, de onde vem, como são tratados os animais e como os usamos para alimentar nossas famílias.

Tudo começou com duas blogueiras Cathy Barrow and Kim Foster. As “meninas” vieram com a idéia e o negócio pegou rápido, um montão de gente se inscreveu, a mídia se interessou, apareceram patrocinadores e quem sai lucrando é a gente.

Por 12 meses (já estamos no terceiro), blogs inscritos vão estar preparando o desafio do mês e postando suas experiências. A refêrencia técnica é o livro Charcuterie: The Craft of Salting, Smoking, and Curing by Michael Ruhlman mas cada um tem liberdade para criar em cima do tema.

Você já pode conferir os dois primeiros, a produção de presunto de peito de pato em janeiro e o uso do sal de cura na produção caseira de bacon e pancetta!!

E graças às democráticas ferramentas de tradução disponíveis na web, todos nós podemos acompanhar as novidades. Confira a lista dos blogs envolvidos, as fotos disponíveis na galeria do Flickr e acompanhe os últimos acontecimentos pelo Facebook.

As incrições estão encerradas e não dá mais para concorrer ao prêmio, uma viagem de sete dias para a França, incluindo aulas de charcuteria em Camont. Mas isso não te impede de participar e discutir o assunto.

Pense um pouco na importância que esse ramo da produção de alimentos tem na mesa do brasileiro e o quão pouco sabemos sobre o assunto!! Topa o desafio?



Proudly powered by WordPress.
Copyright © Give me Flour. All rights reserved.