` Give me Flour | - Part 15

Give me Flour

Ontem descobri que uma das revistas que mais gosto, a Saveur, publicou no seu site 15 receitas diferentes com ervilhas. E esse era exatamente o ingrediente tema do meu novo post!!

Encontrei ervilhas frescas no supermercado a algumas semanas atrás, uma bandeja verdinha, piscando para mim. Tinha que trazê-las pra casa! Você deve então estar se perguntado: “Ela guardou essas ervilhas até hoje?”. Não, eu não faria uma coisa dessas, ervilhas congeladas estão disponíveis o ano inteiro enquanto as frescas são quase um tesouro. Na verdade essa foi a primeira vez que as vi por aqui.

Assim que cheguei em casa preparei minha receita, tirei as fotos e guardei tudo bem guardado para esse futuro post. E então veio a Saveur!

Na verdade eu fico até bem feliz porque isso mostra que na cozinha as possibilidades não tem fim e que não podemos dizer que não gostamos de certo ingrediente sem antes prová-lo de diferentes maneiras.

E isso me leva ao meu outro assunto, Dr. Seuss! Ok, estou enchendo sua cabeça de perguntas e agora você deve estar pensando “Quem??”.

Talvez você não se lembre do nome mas, com certeza, conhece algumas de suas obras. Trata-se de um dos escritores norte americanos mais famosos, com mais de 60 livros infantis publicados e algumas obras adaptadas para o cinema (O Grinch e Horton e o mundo dos Quem).  Por aqui seu livro mais popular  talvez seja “Green eggs and ham” (Ovos verdes e presunto), onde o autor usa apenas cinquenta palavras diferentes.

A história, toda contada através de rimas e imagens, é basicamente composta por dois personagens. O primeiro tenta encorajar de todas as formas possíveis e sem muito sucesso o segundo personagem a comer ovos verdes com presunto. No final, claro, sua persistência acaba vencendo!

A obra de Dr. Seuss faz um uso majestoso das palavras ao mesmo tempo em que cria as suas próprias; lança mão de rimas, um toque de ironia, comédia e muita imaginação deixando a gente sem saber se são os desenhos que ilustram o texto ou se é, de fato, o texto que ilustra sua arte.

Mas porque falar dele? Bem, 2 de Março é ou seria seu aniversário e todos os anos, pelo menos na escola das minhas filhas, há uma comemoração intensa. Os professores lêem seus livros, as crianças desenham seus personagens e muita gente vai pra cozinha preparar ovos verdes com presunto!!!

Mas esse post não tem tanto a intenção de recriar ou reinterpretar esse  famoso e bizarro prato quanto tem de deixar aqui a idéia de celebrarmos assim nossos tão queridos autores! Que tal tirar o livro da D. Benta do armário e fazer um bolo pro Lobato?? 18 de Abril está próximo!

Até lá, vamos de ervilha, com a minha receita, alguma de Saveur  ou quem sabe  a sua própria. O assunto aqui é imaginação!

Primeiro prepare as ervilhas. Encha uma panela com água e leve ao fogo médio até ferver. Adicione-as e cozinhe-as até ficarem macias. O tempo vai depender do tipo de ervilha que você está usando. As minhas cozinharam em 7 minutos.

Enquanto isso, prepare uma vasilha com água gelada e pedras de gelo. Escorra as ervilhas já cozidas e jogue-as na água gelada imediatamente. Esse processo conhecido como “branqueamento” pode ser empregado em ervilhas, brócolis, vagens, entre outros, e o resultado são vegetais muito mais crocantes, coloridos e saborosos.

Enquanto as ervilhas esfriam, prepare duas frigideiras (anti aderente é melhor). Em uma vamos sautear as ervilhas com o queijo e em outra, fritar os ovos e dourar o presunto. Gosto de fazer tudo ao mesmo tempo, assim tudo chega fresquinho e quente na mesa.

Não precisa ficar com medo, tudo é muito simples e pode ficar ainda mais fácil se você já tiver todos os ingredients em mãos.

Aqueça duas colheres de azeite em cada frigideira. Na primeira, acrescente os ovos e o presunto e deixe-os cozinhando (sempre de olhos atentos) enquanto prepara a ervilha.

Na outra frigideira, adicione o tomilho e os dentes de alho e deixe que fritem por alguns segundos para aromatizarem o óleo. Acrescente as ervilhas, sauteie por dois minutes e adicione o queijo. Agora você pode decidir se prefere o queijo completamente derretido ou não e o tempo vai depender da sua escolha. Eu gosto do meu derretido até o ponto em que começa a dourar e a formar uma crosta no fundo da panela. Corrija o sal, acrescente pimenta a gosto e por último o manjericão.

Confira os ovos e o presunto, é hora de montar o prato.

Se você tem ramekins ou potinhos individuais, esse é o momento perfeito para usá-los. Comece com as ervilhas no fundo, ajeite o presunto e coloque um ovo em cima de cada prato. Enfeite com galinhos de tomilho e manjericão.

Simples assim!

February 28th, 2011

Ainda é inverno mas, como tudo por aqui acontece antes, a primavera já é assunto em todo lugar. E posso entender o por quê; primeiro esse lugar é muito mais organizado e focado do que alguns outros lugares que conheço (o que não significa necessariamente uma coisa boa!)

Segundo porque esse  país é enorme, alguns lugares já experimentam altas temperaturas, vegetais já começaram a crescer e as “feiras livres” ou farmer’s markets nem tiveram tempo de respirar.

Enquanto isso, do lado frio e cinza, para não dizer, lado negro, pessoas, cansadas do confinamento sonham com o primeiro sinal de calor para começar a plantar seus jardins. Eu poderia dizer que o que realmente passa pela minha cabeça é uma grande e suculenta peça de carne queimando na grelha e muita conversa jogada fora mas isso já não é nenhuma novidade.

Bem que a gente tenta alimentar algumas fantasias como grelhar uma carninha lá fora no dia seguinte da terceira maior tempestade de neve da história de Chicago. Mas isso só acontece de vez em quando (as tempestades de neve, claro!). Por enquanto, sem farmers market ou calor, eu continuo comprando meus vegetais nos supermercados e preparando-os do lado de dentro (de casa e do forno).

Meu ponto aqui é que apesar de tudo ninguém precisa sofrer ou esperar. Sei que desse lado aí o tempo também não anda colaborando e que a chuvarada anda acabando com a alegria de muito churrasco. Mas, faça chuva ou faça sol, com frio ou com neve, ainda dá para aproveitar a vida! E melhor, com bruschettas de pimentão-pseudo grelhados! Não me entenda mal, não são falsos pimentões mas uma opção saborosa e interessante, preparada no forno e com cara de que acabou de sair da churrasqueira.

Além do mais pimentão não serve só pra enfeitar e colorir a comida. Muito menos pra decorar a ala de vegetais do supermercado. Tá certo que eles estão enfeitando esse blog que vos “fala”, mas pimentões também podem ser a estrela de um prato!

O “trabalho” aqui está em cortar os ingredientes (depois de postar receitas complicadas com chocolate e assutar todo mundo, eu tinha que aparecer com alguma coisa mais simples, né?)

Aqueça o forno a 210˚C. Quando seu mice-en-place estiver pronto, ou em um bom português, depois de cortar e preparar tudo, misture as cebolas, os pimentões, as ervas (opcional), alho, tempere com sal e pimenta e regue com azeite de oliva em abundância.

Espalhe em uma assadeira rasa e leve ao forno por aproximadamente 25 minutos, dependendo do seu forno. Nessa receita eu não me preocupo em tirar a pele dos pimentões mas gosto de assar até o ponto em que as bordas comecem a queimar, o que ajuda a dar um sabor mais intenso.

Enquanto isso, prepare o pão. E por favor, use um pão de boa qualidade, ele não é um mero coadjuvante!

Aqueça uma frigideira e regue cada fatia com azeite de oliva. Torre cada lado do pão por 1 1/2 a 2 minutos ou até dourar. Remova do fogo e esfregue um dente de alho cortado ao meio em cada um.

Minutos antes de servir, espalhe uma colher cheia do pimentão assado, quente ou frio, sobre o pão já torrado.

Como opção e para dar um toque especial, “esconda ” uma fatia de mussarela de búfala fresco em baixo dos pimentões assados!

Três meses!!!

February 23rd, 2011

Give me Flour completa três meses hoje!! Até agora podemos dizer que esse foi um tempo de ajustes. E depois de 7791 visitas, esse bebê começa a interagir, a reconhecer e a olhar nos olhos das pessoas.

O futuro é promissor! E você é mais que bem vindo para deixar comentários, idéias e sugestões!



Obrigada a todos que já passaram por aqui!!

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Barrinhas de Limão Siciliano!

February 21st, 2011

Limão, difícil quem não gosta. Conheço quem tem alergia, não pode tocar que a mão vira uma bolha só,  mas mesmo assim não deixa de consumir e desgustar como se essa fosse a fruta proibida.

Arrisco dizer que limão vai bem com tudo, com peixe, frango, carne, porco, no bolo, na torta e no chá. E no pudim então?? Quer surpreender é só acrescentar umas raspinhas no nosso velho amigo. Não tem quem não elogie ou não fale dos seus dotes na cozinha.

Acho até que ele é pouco explorado e que bem poderia aparecer mais frequentemente. Por isso, sempre que encontro uma receita que o tem como ingrediente principal, já vou ficando empolgada.

É o caso dessas barrinhas, tão tradicionais por aqui e peça fundamental de uma bake-sale. A receita é mais uma vez do livro Cookies (Martha Stwart), seguida à risca. E, como a autora mesma diz, “essa é a barrinha com o sabor mais intenso de limão que já provei”.

Mas antes de fazer, dá uma conferida nesse artigo da chef Carla Pernambuco, vale a pena!! Você vai finalmente entender, além de outras coisas, o porque nossos livros de escola sempre traziam figuras de limões amarelos e não verdes como os “limões de verdade”.

São tantos os limões!! E sei que não é sempre que dá pra substituir, mas no caso dessa receita vale trocar o siciliano por outros tipos. Já fiquei imaginando um limãozinho cravo e minha boca enxeu de água. Pena que não tem por aqui!

Essa é uma receita bem simples. Mas a chave para o sucesso está na manteiga e massa bem geladas. Não deixe de seguir esses passos!

Pré aqueça o forno a 175ºC. Unte com mateiga uma forma de aproximadamente 20x32cm e cubra com papel manteiga.

Faça a massa: rale a manteiga usando a parte mais grossa de um ralador de queijo (se a manteiga estiver congelada facilita o trabalho). Reserve. Misture a farinha, o açúcar de confeiteiro e o sal em um bowl. Adicione a manteiga e misture com uma colher de madeira até formar uma farofa grossa, com pedaços de manteiga ainda visíveis.

Transfira a mistura para a forma; espalhe de forma homogênea e pressione levemente com as mãos. Leve ao frezer por mais 15 minutos. Asse até a massa começar a dourar, entre 16 e 18 minutos. Retire a forma do forno e deixe-o ligado.

Enquanto isso prepare o creme: misture os ovos, açúcar, farinha e sal em um bowl até homogeneizar. Adicione o suco de limão e o leite. Despeje sobre a massa ainda quente.

Reduza a temperature do forno para 160ºC e asse até que o creme esteja firme e as bordas levemente douradas, por aproximadamente 18 minutos.

Deixe esfriar um pouco sobre uma grade. Retire da forma com a ajuda do papel manteiga e corte quando estiver completamente frio em quadrados de 5cm. Polvilhe com açúcar de confeiteiro. As barrinhas podem ser guardadas em um pote fechado e refrigeradas por até dois dias.

E apenas uma ultima observação. Como a receita foi retirada do livro resolvi não alterar as orientações mas, se você reparar, não fiz uso de papel mateiga e mesmo assim as barrinhas se soltaram com facilidade.

Ah, e você pode tranquilamente  fazer metade da receita; para isso use uma forma quadrada de aproximadamente 18cmx18cm.

Cumprindo a promessa

February 15th, 2011

Estava aqui, morta de ansiedade para publicar esse novo post. Primeiro porque continuo presa no sofá, com o pé pra cima, ENTEDIADA! E um novo post sempre é excitante!

Segundo porque essa receita foi um desafio. Tenho que confessar que nunca fiz massa de pastel antes. É tão mais fácil e muitas vezes até mais barato comprar do que fazer.

Mas a verdade é que para esse fim específico as massas que compramos nos supermercados não funcionam. Somente uma massa mais fina e mais leve para dar o resultado perfeito: uma casquinha crocante, sequinha, dourada, levemente salgada e digna de receber o rei das sobremesas, doce de leite.

Dei uma olhada pela internet, comparei receitas e acabei optando por essa. Fiz apenas alguns ajustes e aqui está minha promessa cumprida: RECEITA DE MASSA PARA CANUDO!

Em um bowl, misture bem a farinha de trigo e o sal e faça um buraco no centro. Acrescente o vinagre, a pinga, o óleo e a água e comece a trabalhar a massa com a ajuda de uma colher. Polvilhe uma superfície limpa com farinha de trigo e trabalhe a massa agora com as mãos, como se estivesse sovando um pão.

E aqui está o segredo para o sucesso dessa receita, ou seja, a massa deve ficar enxuta, nem muito mole nem muito dura. Se a massa estiver um pouco difícil ou dura, coloque apenas mais umas gotinhas de água e continue trabalhando.

À medida em que vai sendo sovada, a massa começa a ganhar um aspecto mais homogêneo, tenha paciência.

Depois de lisa e bem sovada é hora do descanso. Cubra a massa com um filme plástico e guarde na geladeira por pelo menos uma hora ou por até três dias.

Divida a massa em 4 partes e sempre mantenha as partes que não estão sendo trabalhadas cobertas com pano úmido ou enroladas em filme.

Abra o primeiro pedaço o mais simétrico que conseguir, formando um retângulo de aproximadamente 25cmX15cm. Um cilindro facilita bastante o processo mas a massa é maleável e relativamente fácil de ser esticada com um rolo.

Uma dica: estique a massa o máximo que conseguir e, se ainda não tiver atingido a expessura necessária, cubra-a do jeito que estiver com um pano úmido e deixe que descanse por uns 5 minutos. Passe o rolo novamente para afina-la. Você pode repetir esse processo quantas vezes forem necessárias, inclusive antes do corte, para impedir que ela se contraia demais.

Quando a massa estiver com aproximadamente 1mm de expessura, corte em tiras de 1,5cmX15cm. Cada quarto de massa deve render por volta de 15 tiras.

Trabalhando com a massa coberta para evitar o ressecamento, comece a enrolar os canudos pelo lado mais grosso da forminha, deixando sempre um pedaço da borda visível para facilitar a retirada da casquinha depois de pronta. E cuidado para não sobrepor muita massa, caso contrário ela não vai fritar como deveria e você vai acabar com uma casca mais grossa do que gostaria.

Frite em óleo quente até dourar. Escorra, espere esfriar e desenforme com cuidado. Recheie com doce de leite momentos antes de servir ou guarde as casquinhas prontas em temperature ambiente por até três dias.

Essa receita rende aproximadamente 60 unidades. Já a quantidade de doce de leite depende de você!

E como trata-se de uma massa de pastel super versátil, você não precisa usar toda a receita para fazer apenas canudos. Brinque com diferentes formatos e recheios. Use a imaginação!!



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