` Give me Flour | - Part 4

Give me Flour

Barrinhas de cranberry!

November 20th, 2012

Eu tenho um hábito que está sempre salvando minha pele. Coleciono revistas de gastronomia e comida. Ainda não tenho certeza se isso é bom ou ruim, principalmente porque logo logo estamos nos mudando de volta para o Brasil e vai ser um desafio tanto deixá-las para tras como levá-las comigo.

Por enquanto elas estão aqui, do meu lado, me dando conselhos e me ajundando a decidir o que fazer para o próximo post.  Comcei a guardá-las logo que nos mudamos pra cá, há quatro anos. Primeiro era um jeito interessante de apreder inglês, mas elas logo se tornaram fonte de estímulo visual e um manancial de inspiração para novas receitas.

Olhando para trás, folheando as páginas dessas “velhas”revistas, é interessante perceber como o mundo que enxergamos e vemos mudou enquanto o que saboreamos continua o mesmo. E isso, na minha opinião, não é culpa das revistas. Estamos sempre à procura de novas idéias para decorar aquela antiga receita de bolo de chocolate ou servir aquele assado que faz parte do caderno de receitas da família. E não me interpretem mal, adoro experimentar coisas novas e geralmente sou a primeira a pedir aquele estranho – mas delicioso – sorvete de azeite que está no cardápio. Mas no dia a dia, tradição é a palavra.

E isso foi o que me fez escolher, sem pensar, essa receita de barrinhas de cranberry da edição de novembro de 2007 da revista Gourmet – uma revista que infelizmente está fora do mercado. Enfim, aqui nos Estados Unidos estamos nos aproximando do que acredito ser o feriado mais celebrado, o dia de Ação de Graças. E como você já deve ter ouvido falar, peru é a grande estrela dessa celebração.

Acontece que como brasileira, não cresci celebrando Ação de Graças e peru, no meu inconsciente, é coisa de Natal – pra falar a verdade prefiro mesmo é uma boa leitoa. Já com cranberries a história é diferente, foi amor à primeira mordida. Continuo não dando muita importância para o dia de Ação de Graças  mas cozinhar com cranberries, isso sim se tornou uma tradição (não conhece cranberry? Dá uma olhada nesse post do ano passado pra se inteirar).

Essas barrinhas são bastante simples em comparação com o nosso bolo de cranberry do ano passado. Nada de nozes ou pasta de amêndoas, apenas cranberries acentuadas pelas raspas de limão (que não fazem parte da receita original mas deram um toque especial).

 

Barrinhas de cranberry

¾ xícara de manteiga sem sal gelada (aproximadamente 170g), cortada em cubos de 1cm

2 xícaras de farinha de trigo

½ colher de chá de sal

1 xícara mais 2 colheres de sopa de açúcar granulado, dividido

Raspas de um limão

3 xícaras de cranberries frescas ou congeladas

1/3 de xícara de água

Açúcar de confeiteiro para polvilhar

Pré-aqueça o forno a 180˚C

1. Forre uma forma rectangular de 22,5X20cm com papel manteiga deixando as pontas para fora (isso facilita a retirada das barrinhas depois de prontas).

2. Coloque no processador a manteiga, farinha, sal, metade das raspas de limão e ½ xícara de açúcar e pulse até que tudo esteja combinado. A massa também pode ser feita à mão, apenas garanta que todos os ingredientes estajam gelados antes de começar e não misture demais.

3. Pressione a massa no fundo da forma forrada com papel manteiga e asse até a massa ficar levemente dourada e os lados começarem a se soltar, por aproximadamente 25-30 minutos.

4. Enquanto a crosta está assando, cozinhe as cranberries com o açúcar restante, o restante das raspas de limão e a água em fogo médio, mexendo ocasionalmente, até que as frutinhas se abram, 6- 8 minutos.

5. Despeje a mistura de cranberries sobre a massa e continue assando até que a borda esteja dourada, cerca de 25 minutos. Peneire o açúcar de confeiteiro por cima e deixe esfriar completamente na forma. Desenforme puxando pelas bordas de papel manteiga, corte em 12 quadrados, peneire mais açúcar de confeiteiro e sirva.

Se você não teve a chance e ainda está pensando em fazer aquele pão de miga da semana passada, aqui vai mais um incentivo, esse sanduíche!

Não arrisca fazer pão em casa? Tudo bem, não precisa usar pão caseiro, basta usar o que for mais fácil, desde que seja um pão de qualidade. O que não vale é deixar essa receita pra depois. Acabei usando o pão de miga porque era o que tinha em mãos mas pra ser sincera, depois de lambuzar cada fatia com manteiga e cobri-las com gergelim e parmesão, o pão acabou se tornando personagem secundário da história.

Meu único dilema foi encontrar uma combinação de recheio “tão bom quanto” pra completar o sanduíche. Acabei optando pelos clásicos: pancetta, pasta de tomates secos, mussarela fresca e agrião. Afinal, não tem como um prato que leva todos esses ingredientes dar errado não é?

Ficou bom, acredite! Sanduíche é algo que sempre faz com que eu me senta culpada. Acho que é por causa daquela idéia que nós brasileiros – e principalmente mineiros – temos de que comida boa é aquela que dá trabalho e suga todo o nosso tempo. Mas com esse sanduíche não, a culpa passa longe!

Ah, e se você está procurando uma versão vegetariana, deixe a pancetta de lado e substitua o agrião por rúcula. Caso queira consumí-lo frio, faça a crosta dos dois lados do pão grelhando cada fatia separadamente, deixe esfriar e monte o sanduíche com os ingredientes frescos.

E caso não encontre paste de tomate seco você pode processar ou picar pedaços de tomate seco junto com um dente de alho. Misture um pouco de azeite, oregano, corrija o sal e empregue.

 

Sanduíche com crosta de parmesão e gergelim

Para 1 sanduíche

2 fatias grossas de pão de sanduíche

1 colher de sopa de manteiga

4 colheres de sopa de parmesão ralado

1 colher de sopa de gergelim torrado

4 fatias de mussarela fresco (búfala)

3 fatias de pancetta fritas (até ficarem crocantes)

1-2 colheres de sopa de pastade tomate seco

2/3 de xícara de agrião

1. Aqueça uma frigideira antiaderente em fogo médio ou use uma sanduicheira.

2. Em um bowl pequeno, misture o queijo parmesão e as sementes de gergelim.

3. Passe manteiga em um dos lados de cada fatia de pão e cubra com a mistura de parmesão e gergelim – como se estivesse empanando.

4. Monte o sanduíche: passe uma camada generosa de pasta de tomate seco em uma das fatias de pão, cubra com fatias de mussarela fresca, 3 fatias de pancetta e agrião – sugiro cerca de 2/3 de uma xícara, mas você pode usar o tanto de folhas que couber no sanduíche (mas lembre-se que ele murcha bastante depois de grelhado). Cubra com a outra fatia de pão.

5. Coloque o sanduíche na frigideira quente e grelhe por cerca de 2 minutos ou até que o queijo parmesão esteja levemente dourado. Vire o sanduíche e continue a grelhando até que o queijo esteja completamente derretido e o parmesão dourado. Sirva imediatamente.

 

 

Pão de Miga

November 6th, 2012

Oh boy, novembro chegou e com ele o fim do horário de verão. Isso significa que a partir de agora a luz natural que entra pela minha querida janela vai começar a se enfraquecer por volta das 4:30 e se eu não quiser desempacotar meu equipamento de luz, vou ter que correr mais ainda pra conseguir tirar as fotos que preciso.

O consolo foi ter uma hora extra anteontem. Domingo de manhã eu estava toda sorrisos, fazendo grandes planos pro meu longo dia – como se eu fosse capaz de enganar o relógio biológico. Fui pra cozinha e fiz até pão. Tudo bem que no final do dia já estava exausta, caindo de sono uma hora mais cedo que o normal mas pelo menos tinha pão caseiro fresquinho em cima da mesa.

Aposto que já te disse várias vezes como eu amo pão. Cheguei até a considerer esse curso antes da fotografia tomar conta de mim. E quer saber? Estou é bem feliz com a minha escolha porque agora fazer pão é um hobby e, mais do que nunca, um momento pra relaxar.

Tudo bem que não tem como se estressar com essa receita (adaptada do livro Baking and Pastry – Mastering the Art and Craft). Pão de miga é uma espécie de pão francês para sanduíche mas passa longe de ser trabalhoso como baguettes ou croissants. Até mesmo a modelagem é super flexivel, já que é a fôrma que segura a massa e dá forma ao nosso pão.

 

Pão de Miga

Rende 2 pães

8 xícaras (950-1kg) de farinha de trigo

1 colher de chá de fermento instantâneo seco

1 colher de sopa de sal

2 colheres de sopa de açúcar

2 2/3 de xícara de água

½ xícara de azeite de oliva

Para fazer à mão: Em uma tigela grande, misture a água, açúcar, sal e azeite. Adicione farinha e fermento, mexendo até que a massa começe a se soltar dos lados do bowl. Transfira a massa para uma superfície levemente untada e sove por 5 a 8 minutos, ou até que esteja homogênea e macia. Volte a massa para o bowl levemente untado, cubra e deixe crescer até dobrar de volume, cerca de 45 minutos (depende do calor de sua cozinha).

Na batedeira (planetária): Em um bowl, misture a farinha e o fermento. Coloque o sal, o açúcar, o azeite e água na batedeira e adicione a farinha e o fermento. Misture em velocidade baixa, com o gancho de massa durante 4 minutos e em velocidade média por mais 4 minutos. Transfira a massa para uma tigela levemente untada, cubra e deixe crescer até dobrar de volume, cerca de 45 minutos (depende do calor de sua cozinha).

Unte levemente duas fôrmas de pão de  aproximadamente 23X10 cm. Modele os pães, achate levemente a massa, dobre-a sobre si mesma, e, em seguida, use a palma da mão para selar as bordas. Vire a massa para que a parte selada fique em baixo. Role a massa para formar um cilindro mais homogêneo de 20 cm de comprimento. Repita os mesmos passos com a segunda parte da massa. Divida a massa em duas partes, e forme dois cilindros (não se preocupe em caprichar, essa é só uma pré modelagem). Cubra e deixe descansar por 15 minutos.

Arrange os pães modelados nas fôrmas, polvilhe com farinha cubra com filme plástico e deixe crescer por 45 minutos a 1 hora (dependendo do calor de sua cozinha o crescimento pode levar mais tempo).

Pré-aqueça o forno a 190° C, retire o filme plástico e asse os pães por aproximadamente 40 minutos. Retire-os do forno, desenforme sobre uma grade e deixe esfriar completamente antes de servir.

Finalmente, aqui vai minha receita de sopa de abóbora. Não me lembro de ter tomado uma sopa dessas aí no Brasil mas por aqui essa receita é bem comum, principalmente nessa época do ano em que a gente tropeça em abóboras em quase todo lugar que vai.

A base é bem simples, abóbora assada com um toque de noz-moscada e sálvia, batida com caldo de frango. Não é light, lactose free ou vegetariana … o que não te impede de mudar algo ou adaptá-la ao seu gosto.

Na verdade, pra mim o interessante aqui são as guarnições. Você pode até mudar alguma coisa na base mas não ignore as guarnições porque é a combinação do crocante do brie com as folhinhas de salvia em manteiga noisette que fazem essa sopa ser assim … essa sopa.

Cada passo pode ser feito com antecedência, apenas aqueça no microondas e decore antes de servir.

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Sopa de abóbora assada com brie crocante, manteiga noisette e sálvia
4-6 porções

Ingredientes:
1 abóbora pequena sem sementes e cortada em fatias de aproximadamente 2cm (deve render 4 xícaras de abóbora amassada)
2 cebolas pequenas, cortadas
8 dentes de alho descascados
1/4 xícara de azeite extra-virgem de oliva
¼ noz-moscada
1/8 de cravo em pó
2 colheres de chá de sal,
1/2 colher de chá de pimenta do reino moída na hora
cerca de 10 folhinhas de sálvia fresco (mais para a guarnição)
3 xícaras de caldo de galinha

Guarnição:
180g de queijo brie cortado em fatias (5mm)
4 colheres de sopa de manteiga
Sálvia fresca

1. Pré-aqueça o forno a 220˚C.

2. Em um bowl grande, misture a abóbora cortada com noz-moscada, azeite, cravo, sal, pimenta e sálvia. Espalhe em uma assadeira grande, juntamente com  os dentes de alho e a cebola. Asse por 30 a 40 minutos, ou até que a abóbora esteja macia.

3. Arrume as fatias de queijo brie em uma assadeira forrada com papel manteiga. Leve ao forno (você pode colocá-lo junto com a abóbora, basta ficar de olho) e asse por aproximadamente 12 a 15 minutos ou até que o queijo esteja ligeiramente dourado. Deixe esfriar na assadeira.

4. Prepare a manteiga noisette. Aqueça em uma frigideira, em fogo baixo, até formar uma espuma. Quando a manteiga parar de espumar, ficará marrom clara e com cheiro de avelã. Adicione as folhas de sálvia, sauteie por alguns segundos e retire do fogo para que a manteiga não queime. Reserve.

5. Prepare a sopa. Raspe a polpa da abóbora eliminando toda a casca. Transfira para o liquidificador junto com as cebolas assadas, o alho e 3 xícaras de caldo de galinha (se você tiver um liquidificador pequeno como eu, pode dividir tudo e bater em dois lotes). Bata até obter uma mistura cremosa, adicionando o leite aos poucos. Transfira para uma panela média, ajuste o sal e aqueça em fogo médio-baixo, mexendo constantemente para evitar que espirre.

6. Para servir coloque um pouco de sopa em um prato fundo, decore com lascas do queijo brie assado e finalize com uma colher de manteiga noisette e folhinhas de sálvia

 

 

Mammoth Brewing

October 30th, 2012

Só passando pra para trazer um pouco de cor pra esse dia!  Está uma ventania e um céu super cinzento por aqui, sensação estranha  para o dia que antecipa o Halloween. Claro que nada comparado a Nova York. Vi algumas cenas assustadoras mas decidi não olhar mais. Como vítima de algumas enchentes bravas, realmente espero que as pessoas estejam bem e que tudo volte ao normal logo, logo.

Bom, pelo menos algo positivo, esse dia meio estranho me trouxe de volta pra cozinha. Daqui a pouco sai uma sopinha de abóbora pra animar o meu dia.

Enquanto isso, deixe eu te mostrar uma coisa:

Não, não é apenas uma cerveja, ela é A CERVEJA – sim, com todas as letras maiúsculas que ela merece. A Mammoth Brewing cruzou o nosso caminho durante o verão, enquanto estávamos acampando no Tuolumne Meadows, uma parte do Yosemite Park na Califórnia. César, meu marido, trouxe uma garrafa pro acampamento em uma de nossas primeiras noites por lá e depois disso a lojinha do parque virou parade obrigatória de final de tarde.

A Double Nut, como eles dizem, é uma lenda de Mammoth Lakes. A receita não leva nozes, mas ainda assim as notas fortes de café e chocolate fazem você ter a senseção de que está saboreando alguma coisa com castanhas. Foi amor ao primeiro gole, mesmo antes de saber que ela tinha competido com 42 outras cervejas e ganho medalha de ouro na Copa do Mundo de Cerveja na categoria Porter Brown.

É claro que nós não paramos por la. Depois de deixar o Yosemite, continuamos a viagem por Mammoth Lakes só pra poder visitar a fabrica e fazer a degustação de outros tipos produzidos na cervejaria. Não dá pra descrever cada uma mas posso garantir que a qualidade das cervejas é excelente e que a compania faz jus ao lema: Uma cerveja tão grande quanto a Eastern Sierra (que em algumas partes chega a passar os  4000m de altitude)

O único problema é que a cerveja, pelo menos por enquanto, só é vendida na Califórinia. Sorte sua que vive, está visitando ou planeja visitar o estado. Enquanto isso eu fico aqui, sonhando com a possibilidade de prová-las mais uma vez :).



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