` Give me Flour | - Part 8

Give me Flour

Não tenho o menor direito de reclamar, só tive coisas boas acontecendo esse ano. Mas os últimos dias de 2011 estão um pouco nublados pra mim. Um pequeno probleminha de saúde me trouxe para o Brasil nesta semana, exatamente de onde estou escrevendo para você agora.

Felizmente, tudo está resolvido e já estou bem. Mas tenho que esperar para voltar pra “casa” e a idéia de passar o Ano Novo tão longe do meu marido e filhas está me assustando. Desculpe, mas esta vai ser uma conversa curta, já estou mais emotiva do que deveria.

Estou aqui, ao contrário, para lhe desejar um super, SUPER e vibrante 2012! Ah, e para ajudá-lo a inaugurar esse ano com um prato igualmente vibrante.

Arroz integral com feta marinado, guarnecido com beringelas assadas, rúcula e sementes de romã, como tudo isso soa pra você? Este é um prato que pode ser servido quente como um acompanhamento ou frio como salada. Várias etapas podem ser feitas com antecedência para poupar tempo. Basta colocar tudo junto uma hora antes do início das festas e se preocupar somente com a maquiagem.

Comece com o feta marinado que pode ser preparado com até uma semana de antecedência, ele fica mais aboroso a cada dia que passa.

E eu gosto de usar pedaços pequenos de feta aqui, mais ou menos como pequenas migalhas. Ele acaba se misturando com o azeite criando naturalmente um molho espesso perfeito para o arroz. Se você achar que colocou muito azeite, peneire o excesso e guarde para temperar outras saladas.

Coloque o feta em um recipiente limpo. Adicione os dentes de alho, tomilho, alho em pó, cubra com azeite, feche bem e guarde na geladeira por até uma semana.

Quanto ao arroz  usei aqui um mix de arroz selvagem e arroz integral. Achei que os grãos pretos do arroz selvagem elevaram muito o visual do prato mas sei também que esse tipo de arroz não é nada barato. Portanto você pode usar qualquer mistura que preferir, apenas certifique-se de usar uma variedade de arroz integral.

Para cozinhar o arroz, coloque 5 xícaras de água em uma panela média, acrescente o sal e uma colher de sopa de azeite de oliva. Cozinhe por 30 minutos ou até ficar macio. Deixe descansar por mais 10 minutos. Solte o arroz com um garfo.
Corte a berinjela em fatias grossas (1 cm),  pincele com azeite e tempere com sal, pimenta do reino e tomilho. Asse por aproximadamente 20 minutos ou até ficarem macias. Reserve.
Descarte os dentes de alho e tomilho do feta marinado.
Em uma tigela grande, misture o arroz, feta marinado, sementes de romã e cebolinha picada. Corrija o sal e adicione pimento do reino a gusto.

Para servir você tem duas opções. Primeiro, pode montá-lo como fiz aqui, começando com uma “cama” de rúcula, o arroz temperado e fatias de berinjela assadas para acompanhar.
Ou, como já disse, você pode também servi-lo como salada fria. Corte a berinjela assada e misturando-a ao arroz junto com a rúcula. Sirva imediatamente.

Feliz Ano Novo!!

Pão de queijo!

December 22nd, 2011

Natal é pra mim, acima de tudo, época de reunir a família. E quando eu digo família estou incluindo tias, tios, sobrinhas, sobrinhos, primos, primas, cunhados, cunhadas, até mesmo atuais namorados ou namoradas que eventualmente vão aparecer na casa da minha avó.

Não tenho tido muitas chances de passar uma noite de Natal como essa, mas sei que a cada ano uma boa parte dos meus familiares, algo em torno de 60 a 80 pessoas (acho que já nem contam mais) se reúnem para celebrar e, especialmente, para se reencontrarem. E nós comemos … … o menu não muda muito, leitoa pururuca, farofa, tutu, salpicão da minha mãe, pavê de amendoim da tia Misé, doce de leite cremoso da tia Lucia estão sempre presentes.

Com tanta gente reunida, não tem como se ter um jantar formal, daqueles em que cada um tem seu lugar certo na mesa. Cada pessoa se acomoda em um lugar e vai comendo no seu próprio ritmo, um pedaço disso, um pedaço daquilo, tentando bater um papo com aqueles que não se vê há um tempo.

E mais uma vez, com tanta gente reunida, não tem como conversar com todo mundo em uma só noite. E é pra isso que os dias seguintes ao natal servem, para reencontrarmos mais uma vez todo mundo, passar mais tempo com os entes favoritos e fofocar sobre os que…. bom, você sabe. E o que pão de queijo tem a ver com isso? Pão de queijo é a parte mais importante dos bastidores, a junta, aquele que une, o coletor, encarregado de recolher e redistribuir os grupos em um movimento incessante e repetitivo.

Cada vez que um lote de pão sai do forno, as pessoas ressurgem de onde quer que estejam para povoar a cozinha novamente. Basicamente, podemos dizer que com uma tigela de pão de queijo a festa nunca termina.

Essa receita não é minha e sim da minha querida tia Joana e sofreu apenas algumas modificações. Eu costumo usar o método tradicional, aquele em que se escalda o polvilho e em que se dá o ponto certo com ovos. Um pouco complicado se você nunca tentou fazer pão de queijo antes.

Essa receita de liquidificador, ao contrário, é quase a prova de falhas. Consegui acertar até mesmo com o tipo de polvilho que encontro aqui nos Estados Unidos. Sei que minha tia prefere usar o polvilho Amafil mas caso não encontre, use o que tiver à mão.
E então, vai um pãozinho de queijo aí?

Preaqueça o forno a 200°C. Unte 36 forminhas pequenas de empada.

Coloque os primeiros quatro ingredientes em um liquidificador e misture por cerca de um minuto.
Adicione o polvilho e pulse até homogeneizar. Raspe as laterais do copo do liquidificador para facilitar. O polvilho tem a tendência de ficar grudado.

Adicione o queijo ralado e pulse algumas vezes mais para obter uma massa homogênea.
Encha até 2/3 de cada forminha com a massa.
Asse por 15-20 minutos, até crescer e ficar levemente dourado.

Sirva ainda quente. Rende 3 dúzias de pães de queijo.

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Duas dicas aqui:
1. Experimente com outros queijos curados como parmesão.
2. Faça a massa e a mantenha bem coberta (com filme plástico encostando na massa) por até dois dias na geladeira.

Couve de novo, eu sei. Não que eu esteja passando por um bloqueio de criatividade, nada disso. É que não estava mais conseguindo resistir a essa sopa. Venho namorando essa receita desde outubro quando minha prima, que tinha recentemente voltado de Portugal, me trouxe uma revista com a receita de caldo verde.

Fico só imaginado o que minha mãe diria nesse momento. Pelo que me lembro, ela costumava fazer sopa pelo menos uma vez por semana e todas as vezes a gente reclamava. Acho que aprendi que sopa podia ser uma coisa boa e mais do que um monte de legumes cozidos num caldo de carne um pouco mais tarde.

Caldo verde, por exemplo, só fui conhecer através da minha sogra e quando provei pela primeira vez não conseguia acreditar que este prato não fazia parte das minhas memórias de infância, o que teria feito todo sentido desse mundo!

Você sabe como nós brasileiros, pra não falar dos mineiros, temos um carinho grande pela couve né? É uma das muitas heranças portuguesas que permanence viva nas nossas refeições diárias. Quando era pequena lembro que todo mundo costumava ter um pé de couve em casa; salsa, cebolinha e couve, todas juntas formavam a trindade onipresente de qualquer quintal. E naquele bate-papo corriqueiro com o vizinho na porta de casa não era nada raro ouvir alguém contando de como a sua couve não havia crescido ou estava com pulgão. Cada coisa que a gente lembra não é?

Então, eu não entendo por que “caldo verde” não existia pra mim até os meus vinte e poucos  anos. Mas um dia nos encontramos e é isso o que importa. Ele estava um pouco esquecido no meio do meu repertório de receitas, confesso. Mas quando vi a receita na revista logo soube que aquilo era na verdade um aviso, um lembrete e finalmente caldo verde veio fazer parte do meu caderno de receitas virtual.

Em resumo, esta sopa é uma combinação de batata e couve, servido com fatias de linguiça portuguesa. Nós aí no Brasil amamos adicionar uma calabresa mas como por aqui é didícil encontrar qualquer uma delas, acabei usando um “chorizo ​​espanhol”, um tipo de linguiça de porco defumada e bastante picante, o que acabou dando um toque especial ao prato.

Pois é, não deixa de ser engraçado, uma brasileira preparando um prato potuguês com linguiça espanhola em território americano. Tem hora que me vejo brincando de telefone sem fio na cozinha. Especialmente porque eu não segui a receita da revista, na verdade a tomei como ponto de partida e acabei acrescentando mais batatas, menos água, linguiça ​​espanhola como já falei, e muito, muito alho. Basicamente uma nova receita.

Ah! Como guarnição acabei inventando moda e fazendo essa receitinha aqui.São folhas de couve assadas até ficarem crocantes. Recomendo, dá um toque especial à sua sopa além de textura extra na hora de comer.

Resumindo, rasgue algumas folhas de couve em pedaços pequenos. Tenha certeza de que estejam bem secas, caso contrário sua couve não vai ficar tão sequinha. Adicione de 1 a duas colheres de azeite e misture bem. Espalhe a couve picada em uma assadeira formando uma única camada e asse em forno médio de 5 a 15 minutos, basicamente até a couve crocante. Reserve.

Prepare o Caldo Verde:

Aqueça o azeite em uma panela grande e cozinhe a cebola e o alho em fogo médio por cerca de 3 ou 4 minutos.
Adicione as batatas e deixe cozinhar por mais 4 minutos, mexendo sempre. Adicione a água, o sal, pimenta do reino a gosto e deixe ferver.
Deixe as batatas cozinham em fogo baixo por aproximadamente 20 minutos ou até ficarem macias. Nesse ponto eu simplesmente pego um espremedor de batata ou um garfo grande e amasso parte das batatas, deixando alguns pequenos pedaços intactos. É uma dica de minha sogra, a porção amassada ajuda a engrossar a sopa e ainda assim você terá alguma textura no final. Delicioso!
Adicione a linguiça cortada em fatias e deixe cozinhar por 4 a 6 minutos.
Adicione a couve cortada em fatias finas, mexa, desligue o fogo e sirva imediatamente. E isso é importante, você pode fazer quase tudo antes mas espere até o último minuto para adicionar a couve.
Decore com o crisp de couve e sirva imediatamente.

 

Não sei se te disse mas passei parte da minha vida trabalhando em Buffet. Costumava trabalhar para uma amiga que organizava festas e minha função era cuidar da cozinha, criar diferentes cardápios, novas receitas. Posso até dizer que ganhei alguma experiência cozinhando para um monte de gente ao mesmo tempo. E gente, tenho boas e assustadoras histórias sobre este tempo…

Enfim, foi assim que comecei a trabalhar com comida. E o que sempre me dava a maior dor de cabeça era a parte das entradinhas. Você provavelmente faz uma idéia de como finger food, canapés e salgadinhos podem acabar se tornando um pesadelo na hora de organizar uma recepção. Preparar pequenas porções mantendo sempre o mesmo padrão não é fácil! Imagine então preparar diferentes tipos de entradinhas para um coquetel com centenas de pessoas!!

Dips, por outro lado, são o sonho que qualquer cozinheiro de buffet. Infelizmente não me lembro de uma única vez em que pude usar esse recurso, problemas logísticos, acho.

Mas quando se trata de uma festa em casa ou para grupos menores, ele se encaixa perfeitamente. Pra mim, dips são um estilo de se comer que acaba unindo as pessoas.
Essa receita é, na verdade, uma variação de um dip de espinafre e alcachofra. Já vi a receita original em vários lugares, livros de culinária, revistas, web, só não descobri ainda sua origem e grau de importância na mesa dos americanos.

Mas como gostei do conceito, resolvi experimentar com ingredientes que são familiares pra gente: palmito e couve. Acredite, essa verdura crespa da foto é um tipo de couve, a mais fácil de se encontrar por aqui mas com um sabor muito similar a nossa couve daí.

 Sirva esse dip com os biscoitinhos de queijo e grissinis que fizemos na semana passada, adicione a tudo isso uma boa caipirinha e dê ínicio a festa!!

 Pré-aqueça o forno a 175˚C

Aqueça o azeite em uma frigideira e adicione o alho. Frite por aproximadamente 2 minutos ou até um pouco antes de começar a dourar.
Adicione o palmito e misture bem.
Adicione a couve picada e mexa.
Desligue o fogo, adicione o leite e cream cheese e mexa até incorporar.
Misture o requeijão, ¾ xícara de queijo parmesão e ajuste o sal e a pimenta preta.
Unte levemente um pequeno refratário ou bowl que possa ir ao forno.
Transfira a mistura para o refratário, cubra com o restante do queijo parmesão e asse por 25 minutos ou até que esteja dourado e borbulhando.
Sirva imediatamente.

 

 

 Bom, sobre a caipirinha eu não preciso dizer muita coisa. Só sei que é, de longe, meu drink favorito, combina muito bem com uma praia mas como não se pode ter tudo nessa vida, bebo a minha olhando pela janela, vendo a neve cair.

E os créditos dessa receita vão para o meu irmão que foi dono de um bar por alguns anos e,  obviamente, sabe algo sobre a arte de fazer coquetéis.

*Quando for fazer caipirinha, dê preferência à cachaça branca ou prata, cachaças envelhecidas foram feitas para serem degustadas puras.

Coloque o limão e açúcar em um copo de vidro Amasse até extrair todo o suco do limão. Adicione cubos de gelo, a cachaça e misture bem.
Para um resultado ainda melhor, use uma coqueteleira. Depois de combinar todos os ingredientes, coloque tudo dentro da coqueteleira, feche e agite vigorosamente por pelo menos 15 segundos.
Volte para o copo e decore com uma fatia de limão.

O Dia de Ação de Graças já passou e até agora não mais do que uns míseros flocos de neve por aqui. Parece que tudo menos o tempo está caminhando mais devagar. Me lembro do ano passado, da ansiedade, o peito apertado enquanto arrumávamos as malas pra ir pro Brasil passar as férias em “casa”,  novembro até parecia ser o último mês de 2010. Mas  agora não, estou tendo que fazer um esforço enorme pra entrar nesse clima de final de ano de novo.

Por outro lado, enfeites, decorações e canções de Natal são difíceis de se ignorar e com certeza fazem você sentir que 2011 está acabando. E depois tem todo esse papo sobre confraternizações e planos para as festas de fim de ano, como e com quem vamos celebrar.

Espero que dezembro me ajude a apressar o passo. E se você está se sentindo como eu, se você está um passo atrás, aqui vão duas receitinhas com multiplos propósitos que certamente vão te ajudar a recuperar o atraso, estes crocantes e deliciosos grissinis e biscoitinhos de queijo.

Primeiro porque eles são uma boa opção de presente de Natal. Segundo, porque ambos se encaixam em qualquer mesa de petiscos, você pode levá-los para aquela confraternização de fim de ano e exibir seus dotes confeiteiros pra todo mundo, especialmente pra aquele colega “super querido” e que adora contar vantagem em tudo.

Duas receitinhas super fáceis mas que fazem as pessoas pensarem que você passou horas na cozinha. Me diz, era tudo que você estava procurando, não era?

A primeira receita, os biscoitos de queijo, foram tiradas daqui, você pode até assistir o vídeo do Mark Bittman e ver como é fácil. Eu amo as suas receitas e não tenho nada a acrescentar sobre esta, acompanhei cada passo e o resultado foi absolutamente fabuloso.

A receita foi feita com o auxílio de um processador de alimentos mas você também pode fazê-la na mão, como massa de torta ou quiche. Para mais dicas de como proceder, de uma olhada nesse link.

Aquecer o forno a 200°C. Forre uma assadeira com papel manteiga ou polvilhe levemente com farinha. Coloque a farinha, o sal, o queijo e a manteiga no processador de alimentos. Pulse até combinar a farinha e a manteiga e formar uma espécie de farofa. Adicione cerca de ¼  xícara de creme de leite, pulse algumas vezes até formar uma massa coesa mas não mole. Adicione mais creme de leite caso seja necessário.

Abra a massa sobre uma superfície polvilhada com farinha até atingir a espessura de mais ou menos ½ cm. Transfira a massa para a assadeira (enrole-a em volta do rolo de macarrão para facilitar).

Perfure toda a massa com um garfo e risque-a usando uma faca ou um cortador de pizza. Não corte completamente, apenas risque onde a massa vai ser quebrada. Polvilhe com sal ou outros ingredientes como ervas, gergelim, etc.
Asse até que doure, cerca de 10 minutos. Retire do forno e deixe esfriar sobre uma grade. Corte e armazene em uma lata fechada depois de frio.

Rendimento: cerca de 4 porções.

Grissini, ahh grissini; já faz um tepo que venho procurando uma receita e finalmente encontrei uma da qual meu forno consegue dar conta. Por que tanta obsessão? Porque simplesmente acho que grissinis artesanais são o ornamento cosmestível mais lindo que existe.

Mas na maior parte das minhas tentativas eu acabava com um grissini borrachudo ao inves de crocante. Essa receita, ao contrário, uma adaptação do livro Baking e Pastry: mastering the art and craft, me colocou no lugar que eu queria estar.

Misture a farinha e o fermento. No bowl de uma batedeira, misture a cerveja, manteiga, azeite, sal, melado ou mel. Adicione os ingredientes secos e bata em velocidade baixa, com o gancho por 4 minutos e em velocidade média por 3 minutos. A massa deve ficar firme. Deixe descansar por 15 minutos.
Forma em uma bola e deixe a massa crescer até dobrar de volume, cerca de 30 minutos.
Forre uma fôrma com papel manteiga.
Usando um rolo, abra a massa em um retângulo de 30cm de comprimento e 1/2 cm de espessura. Apare as bordas se necessário.
Usando um cortador de pizza ou uma faca afiada, corte a massa em tiras de ¼ de largura.

Ajeite as tiras sobre a fôrma tomando cuidado para que elas não se toquem.

Pincele levemente com azeite de oliva.
Cubra e deixe crescer um pouco, cerca de 30 minutos.

Asse em 180˚C até dourarem, cerca de 8 a 12 minutos, girando a assadeira na metade do tempo. Esfrie completmente sobre uma grade.

Ah, só mais uma coisa: seja criativo. Você pode dar seu próprio toque nas duas receitas adicionando diferentes especiarias, alho, pimenta ou mesmo outro tipo de queijo.



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