` Give me Flour | - Part 9

Give me Flour

Pão de milho americano!

November 23rd, 2011

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Então pessoal, caso você esteja à procura de uma receita de pão de milho, aqui vai! E não é qualquer receita!
Como já comentei, o dia de Ação de Graças é nessa próxima quinta. Esse é o feriado mais importante para os americanos ou, pelo menos, o mais importante em termos de comida. É uma das únicas datas em que as famílias se reúnem em volta de uma mesa. E esse pão de milho que na verdade está mais para um bolo, é presença obrigatória nessas reuniões.

Resolvi então compartilhar a receita da amiga de uma amiga. Fui apresentada a ela há algumas semanas pela minha amiga Kathy durante um jantar na sua casa. Esse pão de milho chegou à mesa quentinho, todo recheado de queijo, distraindo minha atenção de todo o resto.
Fiz ele de novo no último domingo, mas dessa vez acrescentei bacon. Umas fatias de abacate, um pouco de vinagrete e o jantar estava pronto!! Também vai muito bem com uma calabreza acebolada, juro!!

E se você quer aprender mais receitinhas clássicas americanas, aqui vai uma super indicação, o blog Receitas Americanas da minha amiga Damaris. A menina não é fraca minha gente, ela já comanda a alguns anos o blog Kitchen Corners em inglês e, à pedidos de muitos seguidores, começou esse novo, despretencioso, simples e cativante blog em português. Passa lá!!

Vejo vocês então na próxima semana. Vou tentar aproveitar meu feriado prolongado!

Se estiver usando o bacon, corte-o em pedaços pequenos e frite-o até ficar crocante. Reserve.
Pré-aqueça o forno a 180˚C.

Bata as gemas por um minuto. Misture o açúcar e a manteiga. Adicione o leite, as farinhas e o fermento em pó. Misture bem.
Em uma tigela, bata as claras até formar picos firmes – mas sem secar.
Misture a erva doce e o queijo.
Unte uma forma retangular de aproximadamente 22x32cm e polvilhe com parmesão ralado. Despeje a mistura na forma, polvilhe com o bacon e asse por 30-35 minutos, ou até que inserindo um palito no centro, ele saia limpo.

Opcional – Desenforme imediatamente, vire-o e corte em quadrados. Sirva quente com manteiga! Rende 12 porções.

Ou, se quiser, faça um vinagrete para acompanhar:

Basta misturar tudo, adicione sal e pimenta preta de acordo com seu gosto e está pronto para comer!

O mundo das cranberries!

November 18th, 2011

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Você sabe o que é uma cranberry?  Pois é, eu só vim a conhecer essa frutinha de perto depois que mudei pros Estados Unidos. Até então, só conhecia de ouvir falar. Mas pra nossa alegria, ela está sendo produzida com sucesso no Chile e já começa a dar as caras no mercado brasileiro.

Trata-se de uma frutinha vermelha, pequena e azedinha. É também uma das únicas três frutas originárias da América do Norte que são produzidas comercialmente, junto com a uva niágara e a blueberry (mirtilos). A maior parte da produção é destinada à industria e produção de sucos, geléias e afins. Mas é durante essa época do ano que as cranberries são mais lembradas, afinal, ajudam a compor o tradicional cardápio do dia de Ação de Graças.

Ano passado, decidi que esse ano, durante a colheita que acontece somente no outono, eu iria conhecê-las de perto. E por conhecer eu quero dizer bater na sua porta, conhecer sua casa, bater um papo e, com um pouco de sorte, compartilhar uma xícara de café, assim como nós brasileiros gostamos de fazer.

Dia 7 de outubro então, saímos de casa em direção ao centro de Wisconsin, um estado acima do nosso e o último até a fronteira com o Canadá. Fomos em direção à rodovia das Cranberries, uma zona úmida, vasta e que se estende por quase 80 quilômetros entre as cidades de Wisconsin Rapids e Warrens – sim, porque qualquer fruta que se preze tem a sua própria rodovia.
O que eu deveria ter imaginado, contudo, é que cranberries tem uma forte personalidade. Elas não ficam se exibindo em cada esquina, gostam de preservar sua privacidade, ao contrário de maçãs ou abóboras.

Mesmo depois de algumas horas na estrada, de passar por dezenas de campos de cultivo de mais de cem anos de idade e por milhares e milhares de videiras, ainda não tínhamos visto uma única fruta. Pra piorar nossa situação, estávamos atrasados ​​para o “show principal”; os principais festivais envolvendo a fruta já haviam acontecido uma semana antes da nossa chegada e imaginei que as cranberries deveriam estar cansadas de atuarem como a celebridade da estação.

Mas mesmo assim elas ainda continuavam exercendo um profundo grau de fascinação pública. Nos deparamos com um grande grupo de turistas durante uma parada rápida no Cranberry Discovery Center e todos os tours que tentamos pegar para assistir uma colheita de perto já estavam lotados. Continuamos então dirigindo, não havia outra escolha.

Pra você endender melhor, a planta, pé de cranberry ou videira, como chamam por aqui, é plantada em grandes valas; no momento certo, essas valas são enchidas com água e uma colheitadeira própria é passada para retirar as frutinhas dos galhos. Como a cranberry é parcialmente oca, ela acaba boiando e o resultado é um atrativo “lago” que chama a atenção até dos mais desligados.
De repente, elas decidiram aparecer e, MEU DEUS, não é a toa que cranberries tem um forte temperamento. Elas simplesmente fazem todas as outras cores do outono desaparecerem, flutuando na superficie dos “tanques” e mostrando pra todo mundo o seu vermelho rebelde.

Paramos na mesma hora, caminhamos até uma das valas prontas para a colheita e ficamos por lá, em atitude contemplativa, tentando entender um pouco melhor essa nova e elusiva amiga. E acho que acabei me emocionando demais para dar início a qualquer conversa.

Mas é claro que trouxe algumas frutinhas pra casa comigo e foi aí que começamos a ficar mais íntimas. Na verdade, é a primeira vez que cozinho com elas mas já posso te dizer, as chances são grandes de nos tornarmos melhores amigas.
Outra coisa que eu trouxe comigo foi o livro Wisconsin Cranberry Growers‘ Favorite Recipes. Livros de receitas locais são uma das primeiras coisas que eu procuro quando visito um lugar novo, simplesmente amo colecioná-los. E este em particular é um pequeno tesouro, uma coleção de receitas de família fornecidas por quem realmente sabe como tirar o melhor de seu produto.
Esse bolo foi inspirado na receita de Ellen Potter, Upside-Down Cranberry Cake. A maneira como ela usa a fruta e a combina com nozes me chamou a atenção. O único problema é que ela usa como base uma mistura de bolo pronta, dessas de caixinha que a gente compra em qualquer supermercado. Mas aqui decidi adaptar usando minha própria receita, uma base de amêndoas e raspinhas de laranja para fazer jus à nossa estrela.

Sirva com sorvete de baunilha e compota de cranberries quentes por cima e garanto que vai ser só elogio!

Prepare a fôrma:

Fatie a manteiga gelada em fatias finas. Distribua as peças uniformemente sobre o fundo de uma fôrma  de 20cm de diâmetro. Polvilhe as nozes sobre a manteiga. Lave e seque as cranberries; despeje sobre as nozes.

Adicione o açúcar granulado e o açúcar mascavo, espalhando uniformemente sobre as  cranberries. Pode parecer uma grande quantidade de açúcar, mas é o necessário para quebrar a acidez da cranberry e criar uma camada caramelizada sobre o bolo. Reserve.

Faça o bolo:

Pré-aqueça o forno a 180˚ C. Na batedeira, bata a pasta de amêndoa em baixa velocidade por 2 minutos ou até que esteja um pouco quebrada. Adicione o açúcar, aumenta a velocidade e continua batendo até que a massa de amêndoa esteja fina. Pode demorar alguns minutos, mas você não quer pequenas pelotinhas de pasta no seu bolo.

Adicione a manteiga e bata até a mistura clarear e ficar cremosa, por cerca de 1 minuto. Adicione os ovos, um de cada vez, raspando as laterais sempre que necessário. Adicione as raspas de laranja e misture bem.

Peneire juntos a farinha, sal e fermento em pó. Desligue a batedeira e adicione os ingredientes secos à mão em três lotes. Não bata demais, apenas misture!

Despeje a manteiga na forma preparada e asse por cerca de 40-50 minutos. Pode demorar mais, dependendo do seu forno. Deixe descansar por 10 minutos e então desenfome.

Compota de cranberry: ponha uma xícara de cranberries e uma xícara de açúcar em uma panela pequena e cozinhe até que todas as cranberries tenham “estourado” ou se partido. Sirva imediatamente.

Um post como convidada!

November 15th, 2011
Só, pra te avisar, tem um purê de batatas esperando por você no A Clove of Garlic, a Pinch of Salt……… Tiffany, uma amiga que conheci (não pessoalmente, ainda) através desse maravilhoso universo de blogs, pediu a alguns colegas blogueiros que compartilhassem receitas relacionadas com o dia de Ação de Graças em seu blog. Eu, claro, prontamente me ofereci. Por quê? Porque senti que precisava retribuir, de alguma forma, todos os hilários momentos que tenho quando leio e sigo suas aventuras na cozinha. É uma honra estar lá!

O post está em inglês mas com as incríveis ferramentas de hoje, não tem desculpa! E qualquer coisa, estou aqui, é só perguntar ok?

Ah, e não deixe de checar o blog dela durante a semana para mais dicas e receitas de Ação de Graças!

Novembro é definitivamente o meu mês de dizer obrigada. Não porque é o mês do dia de Ação de Graças por aqui, nem porque este é o mês de aniversário dos meus pais (sim, ambos) e se eles não estivessem aqui eu também não estaria neste mundo. Eu bem que poderia mas não quero ir tão longe. Eu adoraria ser mais otimista mas não sou, não sou o tipo de pessoa que dá graças só pelo fato de ter nascido.
Eu tenho necessidades, como todo mundo. Não fico feliz quando não consigo chamar a atenção de outras pessoas. Não fico feliz quando não cumpro com minhas tarefas no tempo certo, quando não conquisto meus objetivos, quando vejo que não estou crescendo como pessoa e quando não estou fazendo algo que eu realmente goste. Enfim, sou apenas uma pessoa normal.
Mas novembro passado comecei a fazer algo que está enchendo meu coração de alegria; um ano atrás comecei o Give Me Flour. E a todos vocês, queridos leitores, que já passaram por aqui e me incentivaram, de uma forma ou de outra, um grande “OBRIGADA”.

Tudo que quero agora é celebrar, sem pressa, em pequenas e saborosas mordidas. A receita perfeita para isso? Chocolate Friands, ou pequenos mas “satisfatoriamente extra ricos e úmidos” mini bolos de chocolate do livro Tartine. Na verdade, nós tivemos a sorte de visitar essa padaria durante o nosso tempo em San Francisco no verão passado e provar essas mini tentações no seu local de origem. Como foi? Dê uma olhada, as fotos estão aqui! Mas antes, vamos à receita.

Apesar de ter digitado a receita completa aqui, dividi tudo pela metade no meu primeiro teste e usei forminhas de pão de mel que trouxe do Brasil, um pouco menores que as the mini cupcakes daqui. Com isso obtive o mesmo número de mini-bolos, 24 no total, e eles ficaram tão úmidos quanto o original. Como amo quando me deparo com uma receita boa e bem equilibrada!
Mas mesmo a receita sendo boa, acabei fazendo algumas modificações. A primeira foi quanto ao tempo de forno; 15 minutos não foram suficientes e quando chequei, o centro ainda estava cru. Mas sei que isso está totalmente relacionado com o tipo de forno. Apenas esteja ciente disso e mantenha os olhos abertos.
Segundo, eu não sei se já te disse, mas sou completamente “supersticiosa” quando vou fazer massas de bolo. Na receita original você deve adicionar os ingredientes secos à mistura de chocolate e depois os ovos. Mas para mim a farinha tem que ser o último item; não sou uma boleira por natureza e se ainda há algo a acrescentar depois da farinha, não importa o que eu faça e como faço, eu sempre acabo misturando demais a massa e deixando meus bolos pesados. Por isso inverti, acrescentei os ovos primeiro e depois o resto dos ingredientes.

Notas: Você pode usar um saco de confeitar ou uma colher de sorvete para enxer as forminhas. Os bolinhos originais também são assados ​​e servidos em forminhas de papel de 3,75 por 1,25cm. Super fofo!
Pré-aqueça o forno a 170˚ C. Arranje 24 forminhas de papel em uma assadeira, ou unte e enfarinhe 24 forminhas de empadas ou pão de mel, batendo para retirar o excesso de farinha.
Para fazer a massa: coloque o chocolate em uma tigela grande. Em uma panela pequena, derreta a manteiga em fogo médio até aquecer bem. Despeje a manteiga sobre o chocolate e bata ou mexa até ficar homogêneo. Em uma tigela média, misture bem o açúcar, a farinha, o amido de milho e o sal. Adicione a farinha, em três lotes, mexendo bem após cada adição. Adicione 2 ovos e bata até misturar, adicione o restante dos ovos e misture apenas até incorporar. Tenha cuidado para não misturar demais e deixar a massa pesada.
Encha três quartos de cada forminhas com a massa. Asse até que os bolinhos comecem a rachar em cima, de 12 a 15 minutos. Se estiver usando forminhas de alumínio, deixe esfriar por 10 minutos sobre uma grade, e só então desenforme-os. Se estiver usando forminhas de  papel, deixe que esfriem na própria forminha.

Para fazer a ganache, coloque o chocolate em uma tigela pequena a prova de calor. Esquente o creme de leite e uma panela pequena quase até o ponto de fervura. Despeje o creme sobre o chocolate e espere um ou dois minutos. Mexa delicadamente com uma espátula até que o chocolate esteja derretido e liso.

Verifique se os bolinhos estão completamente frios antes de mergulha-los na ganache. Segure-os pelo fundo, mergulhe a parte superior na ganache e agite suavemente para permitir que o excesso escorra. Retorne à grade e deixe secar em um lugar fresco por cerca de uma hora.
Sirva no mesmo dia ou armazene os friands em um recipiente hermético (para evitar a condensação) na geladeira por até cinco dias.



Hoje é aniversário do meu pai! Sinto muita falta dele! Meu pai é uma das únicas pessoas que poderiam brigar comigo pelo último pedaço de choriço no prato. Ok, agora também me deu saudade dessa linguiça! Mas isso é assunto para outro momento….
Meu pai, bem, eu não posso pensar sobre o meu pai, sem pensar em comida. Nosso relacionamento se deu muito em torno de uma mesa. O tempo que tínhamos para conversar era quase que exclusivamente o tempo que tínhamos para comer. Mas não me levem a mal, eu passei mais tempo com ele do que você está pensando. Você sabe como é aí no Brasil, a hora da refeição é aquele momento em que sentamos na mesa sem tempo pra levantar, comemos devagar, falamos, rimos, discutimos, argumentamos e até choramos. E ainda é assim toda vez que visito a casa dos meus pais, me encontro com meu pai em torno de uma porção de alguma coisa, geralmente algum petisco de porco. E dessa maneira fui aprendendo com ele a desenvolver um gosto muito peculiar, um gosto por coisas como fígado e pés de galinha ou pés e joelho de porco. E se há uma coisa que me faz parecer com ele, além dos olhos, é a nossa forma de comer: se ainda tem comida na mesa a gente continua comendo, devagar e sempre.

Surpreendentemente, eu não tive muitas chances de cozinhar para ele. Talvez, inconscientemente, eu esteja sempre à espera de que meu pai vá me apresentar algo novo.  Talvez, inconscientemente, eu saiba que ele sempre vai chegar em casa com algo saboroso.
Mas hoje é seu aniversário e minha hora de retribuir. Uma clássica sopa francesa de cebola para dizer ao meu pai que ele é especial para mim. Eu sei que um sopa de cebola é tudo, menos uma coisa nova. Mas é algo que posso dizer que realmente sei fazer bem, algo que deixaria meu pai orgulhoso.

Decidi usar vários tipos de cebola nessa receita. Basicamente comprei todos os tipos que encontrei no supermercado menos as cebolas roxas; amarelas, doces, em forma de gota, arredondada, branca, cipolline, chalotas francesas que, apesar de sua cor meio lilás, não comprometem o tom da minha sopa. Sim, eu me preocupo com a cor; por algum motivo esta sopa na minha mente sempre será marrom. Mas se você quiser, não hesite em comprar as cebolas vermelhas. A sopa será sua, você tem o direito de escolher a cor, certo?

Em uma panela grande, refogue o bacon em fogo médio até ficar crocante. Adicione a manteiga e deixe derreter completamente. Adicione as cebolas, açúcar, sal e refogue em fogo médio até a cebola obter uma cor amarronzada e caramelizar. Este passo pode demorar de 30 minutos a 1 hora e requer atenção. Não deixe de mexer algumas vezes para que a cebola não queime.

Adicione a farinha e refogue por mais 2 minutos, mexendo sempre para não empelotar. Adicione o vinho branco e continue cozinhando por mais 3 minutos. Nesta fase, as cebolas vão se unir com a farinha e adquirir a aparência de uma massa. Adicione então o caldo de carne aos poucos, até que a “massa” seja completamente dissolvida e a sopa tenha uma aparência mais homogênea.
Adicione o bouquet garni, a pimenta do reino e ajuste o sal. Continue a cozinhar por cerca de 15 minutos ou até que a sopa engrosse e fique cremosa.
Enquanto isso, prepare as torradas. Corte o dente de alho ao meio e esfregue a face cortada em cada uma das fatias de pão. Reserve.

Para servir você pode usar bowls individuais que resitam ao calor do forno, bowls feitos de pão* ou uma caçarola grande. Aqueça o forno a 220˚ C. Encha o recipiente de sua preferência, cubra com as fatias de baguette e polvilhe com queijo. Leve ao forno e asse por 5 minutos ou até que a cebola comece a borbulhar e o queijo gratine. Sirva imediatamente. Rende de 4 a 6 porções.

* Para fazer os bowls de pão compre quatro pães italianos pequenos, de 12 a 15cm de diâmetro. Corte uma tampa na parte superior e retire o miolo deixando 1.5cm de todos os lados. Coloque o pão em uma assadeira e leve ao forno a 180˚C até torrar. Está pronto para ser usado.

E a última dica: esta sopa é ainda melhor quando preparada com caldo de carne caseiro. Se você realmente ama a sua cozinha, te dou o maior apoio, vale a pena e o esfoço. Mas se você não tem tempo pra isso, use um caldo de carne pronto mas não deixe de fazer a receita.



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